Em outubro Fortaleza recebe a residência artística PÓSPORNÔPYRATA – Intersecções entre póspornografia, arte contemporânea e decolonialidade.

Dos dias 22 a 26 de outubro a Monstruosas, em conjunto com a Coletiva Vômito, Distro Dysca, Espaço Carnaúba e Kuceta Plataforma aportam na “terra da luz” para contaminar corpos com o vírus da insubordinação ao cistema e elaborar criações perigosas e de ataque contra o império heterossexista, em perspectiva antiracista, antiespecista anticolonial e anticivilizatória.

A resisdência PÓSPORNÔPYRATA será realizada no Espaço Carnaúba com abertura e encerramento com acesso gratuito e contará com exibição de vídeos póspornôs sudakas, estações de experimetação póspornô sensoriais, debate e ação direta pornoterrorista, além da mostra dos trabalhos realizados e a feira autônoma numa excitante ação de encerramento.

Os dias 23 e 24 são exclusivos para as 10 pessoas selecionadas através das inscrições realizadas pelo preenchimento do formulário. As participantes da residência poderão contar com uma ajuda de custo individual de 50R$.

PÓSPORNÔPYRATA – Interseccções entre póspornografia, arte contemporânea e decolonialidade

Nos arreganhamos a pensar sobre raça e sexo-gênero-dissidência, interseccionando as opressões e privilégios, pensando nesses marcadores sociais que hierarquizam as relações. Como isso reverbera na construção da arte contemporânea?

A proposta é ascender as corpas e sexualidades transviadas e degeneradas em potência do fazer criativo enquanto máquina insurgente, conectadas por uma rede de cuidado, afetiva e de modificação. A residência propõe o estímulo ao erro, já que o bug do sistema somos nós. Processos de localização da opressão à táticas de guerrilha póspornô e possibilidades de rupturas ao cistema heteromachobranco.

A residência pretende conectar artistas que trabalham com póspornô e decolonização e/ou tem ações e vivência de combate e questionamento à hegemonia racista e cis hetero patriarcal. Pq a arte legitimada é a do homem hétero cis branco?

A hierarquia e a linearidade da arte como senhor deus colonizador. Como produções dissidentes articulam fora do grande circuito elitista das artes?

Propomos pensar produções póspornô sudakas para questionar a colonização dos corpos. Quais os tensionamentos sobre a presença destas reflexões no campo artístico? É possível dilatar a fronteira elitista e clubista da arte para que a propagação de nossas narrativas se transforme numa estratégia de sobrevivência no cisheterocapitalismo?

### o pornoterrorismo pode ser um marco implosivo da linearidade que dominou a arte contemporânea? ###

PRIMEIRO DIA – TER 22/10 – 19h (ABERTO AO PÚBLICO)
Carnaúba Cultural
Exibição de vídeos póspornô sudakas & Roda de abertura.

SEGUNDO DIA – QUA 23/10 – 16h30 (EXCLUSIVO PARA AS INSCRITAS)
Carnaúba Cultural
Estações de experimentação póspornô sensoriais

estação1: Faça você mesme.

estação2 : VÔMITO. vomitamos a velha máxima desnecessária dos concretistas, modernistas, tropicalistas, queers modinha. Oiticica is dead! Vomitamos a nós mesmas para nos reinventar, para não sucumbirmos caladas, para perturbar a norma e implantar desconforto aos que nos subjulgam, vomitamos nossa própria carne, nossa radioatividade, nossos vírus para que todxs se infeccionem, purpurina de nossos ossos.

“A antropoemia – o vômito – interrompe a digestão e a evacuação: reverte a dialética ao não permitir que se faça a síntese. Impedido de virar bosta, todo vômito se faz comestível: na contramão da síntese, vomitar é a possibilidade de comer novamente, e outra vez mais. “Contínua transformação do tabu em totem”.

Todo vômito “já éramos” alimento. É ao mesmo tempo alimento e dejeto, inclusão e exclusão. Ambivalência. O vômito é o pulsante processo dialético e histórico, instável e informe. Força que não estabiliza.”

(ref. a oficina de vômito da coletiva vômito, estação que muta criada por Bruna Kury. no encontro aparece como instalacão.)

estação3 : PÓSPORNO SONORO. “As corpas são únicas, podemos expandir nossos sentidos. Nenhuma medicina branca nem igreja, nem família baseada na cisnorma poderá nos castrar ou nos trancafiar em outres ou em nós mesmes. Faremos de nossas corpas festa, de nossos orifícios transmissores de música de nós mesmes, tentáculos e fios.”
Tecnologias do corpo, suor, pele, próteses, hibridismo, organismo.

TERCEIRO DIA – QUI 24/10 – Debater anarquismos, antihumanismo, autonomia, alimentação e ancestralidade, o veganismo enquanto um instrumento de enfrentamento às lógicas hegemônicas de consumo, criando maneiras alternativas que não se baseiam em nenhum tipo de exploração, especismo ou misoginia.

Monstruosas e Distro Dysca – focades nos tesões apocalípticos que se fortalecem desprezando a falocracia da masculinidade tóxica e civilizada. Gozar em cima das ruínas da heterossexualidade e da família nuclear androcentrada é um ato que transforma os esforços para demolição do heterocapitalismo em um orgasmo lascivo, sendo as vivências e as práticas dissidentes, um vírus que se propaga contaminando os corpos com a descolonização dos desejos e afetos. Os prazeres e a forma como se alcança-os também são políticos e fazem parte de uma subversão estrutural acerca do controle biopolítico dos corpos.

*A proposta é de construirmos coletivamente uma performance póspornô.
‘Salimos a la calle, monstruas, mutantes, queers, sudakas, migrantes, disidentes, lxs que despiertan y quieren despertar a otrxs. Derrumbando los muros que impone el (des)conocimiento, follamos de vuelta los vangloriados culos próceres del fascismo, héroes del colonialismo. Les follamos y en el lugar de los hechos eyaculamos los cuerpos de piedra con verdadera historia. ‘
Ref: fuckthefascism.blogspot.com

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QUARTO DIA – 26/10

MOnSTRA COLETIVA dos trabalhos com integrantes da residência e artistas convidades.

Feira com Monstruosas, Distro Dysca, PósPornôPirata, AnarkoBafo, @kucetaplataforma