[CHAMADA DE COLABRAÇÃO SOLIDÁRIA] Vem aí, MONSTRUOSAS: Tesões apokalíptikos nas ruínas do heterocapitalismo

Em junho de 2017 a Distro Dysca, realiza a 2ª edição da Monstruosas, desta vez focando nos tesões apocalípticos que se fortalecem desprezando a falocracia da masculinidade tóxica e civilizada. Gozar em cima das ruínas da heterossexualidade e da família nuclear androcentrada é um ato que transforma os esforços para demolição do heterocapitalismo em um orgasmo lascivo, sendo as vivências e as práticas dissidentes um vírus que se propaga contaminando os corpos com a descolonização dos desejos e afetos. Nossos prazeres e a forma como se alcança-os também são políticos e fazem parte de uma subversão estrutural a cerca do controle biopolítico dos corpos.

O evento está sendo todo organizando sob protagonismo dissidente em perspectiva colaborativa, horizontal, autônoma e solidária. Serão dois dias de intensas atividades com oficinas, rodas de diálogos, sessões de tatoo e piercing, lançamento do livro A Porca Punk, lançamento de zines, mostra de vídeos e performances, além de uma festa de confraternização que catalisará as pulsões emergidas neste grande encontro. Com a participação de ativistas, artistas, performers e pornoterroristas, os trabalhos e debates selecionados para compor a programação, são realizados por companheires do Brasil, México, Argentina, Chile e Peru, retratando uma disparidade estética e propositiva que tem na visibilidade das sexualidades e gêneros dissidentes uma arma humanicída que infecta os corpos heteronormativos autocompreendidos como poderosos, verdadeiros, definitivos e hegemônicos.

Nossos custos de produção envolvem:

  • O transporte das facilitadoras e performers que se encontram em regiões diferentes do Brasil, bem como transporte urbano para circulação e compra de materiais para as oficinas.
  • A tradução de textos, diagramação e tiragem dos zines que serão lançados pelas monstruosas como Agitporn, Localização Política da AIDS, Contra o Quebranto Sobre o Corpo Monstruoso, Gordas e Anti Especismo e Mastrubação Mental;
  • O aluguel de material para exibição de vídeo como projetor e telão
  • Impressão de folders e cartazes de divulgação que serão espalhados em regiões periféricas da cidade.
  • Ajuda de custo para alimentação e hospedagem das companheires de forma que não sobrecarregue o orçamento e a organização cotidiana das amigas que forneceram suas casas, na periferia de Recife, para hospedagem e troca de vivências.

A 1ª Monstruosas, contou com doações colaborativas e um almoço solidário realizado pela Dhuzati Coletiva Antiespecista Artesanal. Devido à experiência exitosa estamos convidamos amigues e demais apoiadorxs da rede sexodissidente e anticapitalista para contribuir financeiramente com este projeto, objetivando o acesso gratuito à todas nossas atividades.

O festival será condensado na seguinte programação: MoNSTRaMostra Nordestina de Sexualidades e Travestigeneridades em Resistência no Audiovisual; Danzando en Revolta; eXXXcitadesoficinas de shibari, debates transsexuais, tatoos e piercing; Montaria TheMônia Anticivilizatória e Lançamento do livro A Porca Punk + lançamento de zines. As doações podem ser feitas através de depósito no Banco do Brasil na seguinte conta:

A. Buarque de Souza
CPF: 048.656.864-44
AG. 1245-9
CC 45990-9

Por ser um projeto autônomo, nossa contrapartida para esta chamada se dá pela própria realização do evento que ocorrerá na periferia de uma grande cidade do nordeste brasileiro, como estratégia de sair de um centro tomado pela gentrificação, priorizando o recorte de classe nas perspectivas críticas a cerca dos comportamentos sexuais e de gênero. Nosso foco é o fortalecimento dos corpos monstruosos e racializados que se encontram fora das grandes instituições de produção instrumental de conhecimento, reconhecendo as inspiradoras experiências de resistência, criação e pirataria construídas desde as situações de exclusão familiar, trajetórias na prostituição, até o enfrentamento contra às violências resultantes da expansão cristã neopentecostal nas periferias e da supremacia machulenta.

Beijaço em repúdio a violência de gênero na UFRPE

Alunos da UFRPE organizam um beijaço como forma de protesto simbólico contra o lançamento do livro Heterofobia.

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Estamos em pleno 2015 e ainda vivemos num país que avança a passos lentos – quase enfermos – para uma política social de inclusão e de igualdade de gênero. Lutamos todos os dias por respeito, por espaço, por voz, por visibilidade.

Trata-se do lamentável ocorrido do dia 24/04, em que um professor da UFRPE, Ademir Ferraz, já envolvido em processos judiciais por discursos de ódio e homofobia, fez o LANÇAMENTO do seu livro, intitulado “Heterofobia: Um risco para o Estado de Direito”. Isso mesmo, gente. Não é piada. Professor da casa há mais de 33 anos, Ademir conseguiu o feito de lançar na ADUFERPE o seu livro, causando indignação de ativistas que foram AGREDIDOS (verbal e fisicamente) e AMEAÇADOS. O relato completo pode ser lido aqui:

Enxergamos o ato de violência cometido pelo “professor” (que deveria ser um agente de transformação social) como uma forma de evidenciação da problemática social de agressão às minorias e de imposição de uma cultura de desrespeito e opressão. Também é notório como o mesmo “professor” tenta reverter a situação e colocar xs ativistxs que o combateram como enquadradxs no seu diagnóstico de “heterófobas” – palavra que ele usa para designar nossxs alunxs –, mas estamos aqui para dizer que isso não passará, professor. Não deixaremos que atitudes como essa voltem a acontecer em nossa Rural. Não deixaremos que mais discentes sejam oprimidxs por pensamentos sexistas, machistas, homofóbicos, transfóbicos, patriarcais etc. Basta!

Agressão física e verbal na UFRPE não passará!
Misoginia não passará!
Lugar de bichas, travestis, trans, lésbicas etc, é na UNIVERSIDADE.
Somos contra o patriarcado e a opressão.
Há uma luta pela frente. Há braços!

Convocamos todxs vocês que se reconhecem como parte dessa causa – GAY, LÉSBICA, BI, TRANS, PANSEXUAL – para um BEIJAÇO na ***CALOURADA DE ENGENHARIA DE PESCA*** (departamento de Ademir Ferraz) para mostrar que o AMOR e o SEXO não têm GÊNERO. É um ato de celebração do amor, do sexo, da festa, da alegria, da liberdade de SER. E um recado para todxs xs homofóbicxs de que NÃO SOMOS INVISÍVEIS e NÃO DEIXAMOS PASSAR a ideia DETURPADA de uma HETEROFOBIA, visto que sofremos durante anos uma opressão de uma classe sobre a outra e NÃO EXISTE essa inversão.

– Organização –
Coletivo O CUCA TE PEGA

Mais informações:
1) O horário do beijaço está marcado para as 22h porque muitxs alunxs têm curso noturno e não poderiam estar presente antes. Mas é calourada, então quem chegar antes procura se juntar Emoticon smile e se não tiver par ainda, aí é que procura meeesmo… Hahaha
2) Estaremos reunidxs com cartazes e tintas, no Mesa Farta. Vai ser fácil nos identificar (para quem ainda não nos conhece)!
3) Hoje vai ser lindo!!! Muita energia de empoderamento reunida :)))
4) Outros detalhes podem ser esclarecidos na página do evento no facebook: https://www.facebook.com/events/851721818246796/

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Ação performática é censurada pelo Diretório Acadêmico de Ciências Sociais da UFRPE

Nesta semana ativistas da dissidência sexual foram censuradas e impedidas de apresentar uma intervenção artística pela entidade de representação dos estudantes de ciências sociais da UFRPE. A performance, que continha cenas de nudez, era voltada para os calouros do curso e pretendia contribuir com os debates sobre gênero que iriam acontecer no dia 19.

Como forma de prestar solidariedade as ativistas, publicamos a nota de repúdio com mais detalhes do caso:

NOTA DE REPÚDIO CONTRA O DACS-UFRPE

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O impedimento e censura executada ao ativismo da dissidência sexual1, na semana do calouro organizada pelo DACS/UFRPE, revela não só a sofisticação da academia em invisibilizar emergências questionadoras da heterossexualidade compulsória2 por todas as suas instâncias burocráticas e organizacionais, como também o perfeito alinhamento do diretório acadêmico com o conservadorismo e violência machista, ao tentar barrar uma performance artística antisexista e ao mesmo tempo propagar uma festa usando esteriótipos de objetificação da mulher a partir de músicas sexistas e misóginas.3

Uma pessoa ligada ao ativismo da dissidência sexual foi convidada por dois membros ativos do diretório a organizar o dia referente as reflexões sobre as questões de gênero na programação da semana do calouro. A proposta inicialmente recusada, foi aceita devido a exposição das dificuldades em organizar o evento e a confiança que estas duas pessoas dispuseram na ativista, sobre sua capacidade de articular bons nomes, garantindo a boa qualidade da atividade, dando-lhe assim carta livre para estruturar o dia.

A ativista montou um esquema diverso de apresentações de forma que garantisse a pluralidade e as múltiplas visões a cerca do gênero tanto no debate acadêmico, quanto no debate mais ativista, sendo uma exibição de filme com um pequeno debate com relatos de experiência trans, uma mesa no formato mais academilóide encerrando com uma performance artística.

tire-seus-padroes-do-meu-corpo-258400-1Durante uma reunião realizada no dia 13/03 membros do diretório, sem a presença da ativista apontaram uma inclinação que a performance não deveria ser apresentada, pois acreditam que o ambiente acadêmico deveria priorizar outros tipos de ações e que existiria a possibilidade da performance ser mal recebida junto ao corpo docente e administrativo do curso.

Fato é que no domingo 15/03 foi comunicado a ativista que pela performance conter cenas de nudez, o coletivo do diretório acadêmico impediu a sua realização justificando sua ação como uma estratégia para não sujar a imagem de uma articulação incipiente e considerando esta ação não apropriada para calouros de ciências sociais, bem como para o espaço acadêmico. Por sua vez, tendo seu esforço primeiramente com total liberdade e posteriormente censurado, a ativista decidiu se retirar da organização da atividade.

As justificativas do diretório acadêmico, revelam uma posição política que se compromete mais com as avaliações que o conservadorismo institucional possa vir a fazer, reproduzindo a prisão seus padrões, formatos e estilos, do que com a invisibilidade que formas de fazer político não hegemônicas e discursos críticos às estruturas coloniais sofrem.

Ao prezar pela boa imagem institucional, o diretório joga uma crítica política contra a hierarquização, indolência e arrogância trazidas pela supremacia da racionalidade frente a outras linguagens4 no lixo. Ao prezar pela boa imagem, o Diretório Acadêmico de Ciências Sociais, age invisibilizando discursos antisistemicos emancipadores como, não por acaso, faz a própria Universidade, o Estado e o capitalismo.

A tentativa de impedimento da performance apenas por conter nudez, e img001por isso considerá-la imprópria para os calouros de ciências sociais, deixa o diretório alinhado com as correntes mais conservadoras do cristianismo que protege com o uso de prisões e subjugações, as crianças das famílias nucleares heterossexistas5 das expressões de carinho, amor e afetividade da população sexo dissidente.

O ativismo sexo-dissidente crê na arte performática como uma forma legítima de fazer política, estimulando a reflexão crítica sobre a metodologia convencional imposta pela racionalidade e destruindo a perspectiva que a coloca como forma mais adequada de construir e propagar conhecimento, além de proporcionar instantaneamente que as possibilidades sugeridas se materializem e atinjam as pessoas por vias sensoriais. Não nos interessa discursos cheios de referências bibliográficas que são mantidos pela herança do sistema escravocrata, como os serviços de empregadas domésticas. Tampouco concedemos credibilidade a intelectuais que caracterizam a classe média como fascista, mas continuam inebriadas pelos privilégios que o sistema capitalista as fornece. Nosso interesse é propagar uma prática dissidente possível e trazer visibilidade a fazeres que estão criando por fora das engrenagens heterocapitalistas6, assim acreditamos no poder da estética para construir subjetividades revolucionárias e interseccioná-las contra as mais diversas formas de dominações que enaltecem o patriarcado.

Aos que se chocam com as ações, gostaríamos de dizer que as grandes mudanças da sociedade se dão a partir de polos radicais de debate, expressões de afetividade entre homossexuais em público já foram chocantes, mulheres reivindicarem direitos, usarem calça e terem cabelo curto já foi chocante, a travestilidade ainda é chocante, portanto, estas pessoas que já chocaram a sociedade, garantiram a longo prazo patamares menos desiguais, que entre outras coisas, hoje, possibilita nossa existência.
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1 Em contraposição a militância LGBT, que pauta sua luta na conquista de direitos, a noção de dissidência sexual acredita que na heterossexualidade enquanto um regime político autoritário que violenta, persegue e extermina pessoas que estão em dissidência da normalidade heterossexista.

2 Para mais informações ver RICH, Adrienne. “Heterossexualidade compulsória e existência lésbica”

3 As chamadas da calourada das ‘Ciências Sensuais’ continha músicas sexistas do imaginário popular como na ‘boquinha da garrafa’ e diversas imagens sugerindo a objetificação da mulher.

4 Para mais informações ver SANTOS, Boaventura de Souza. “Um discurso sobre as ciências”

5 Heterossexismo é o termo utilizado para referenciar o sistema ideológico que nega, estigmatiza, discrimina, humilha e menospreza qualquer forma de comportamento, identidade, relacionamento ou comunidade não heterossexual. O heterossexismo supõe que todas as pessoas são originalmente heterossexuais e que a heterossexualidade é superior e mais desejável do que as demais possibilidades sexuais.

6 Heterocapitalismo é um conceito trazido por Leonor Silvestri, a partir das ideias sobre capitalismo cognitivo de Deleuze e Guatarri. De acordo com a filósofx o heterocapitalismo opera através da colonização das subjetividades produzindo desejos e modos de relações enaltecedores de uma lógica heterossexual, e controlando as maneiras de perceber o mundo de modo que garantam a supremacia e dominação masculina. Há também algumas produções textuais que consideram a heterossexualidade, definida a partir da ciência, como estratégia vital para a ascensão e consolidação do capitalismo.