Convocatória de Trabalhos 2020 Monstruosas

Esta aberta a Convocatória de Trabalhos 2020 da Monstruosas, com objetivo de reunir material para propagação político-cultural sexodissidente e dar continuidade a uma agitação combativa que estimule o uso da criatividade e da estética enquanto dispositivo de insurgência contra a normalidade cisheterossexista e sua economia de controle e reprodução de corpos cisgêneros e heterossexuais, enquanto maquinaria genocída da supremacia branca.

Entendendo a revolta como uma prática divertida e excitante e o colapso como uma profecia necessária, esta chamada pretende mapear e inspirar produções da população sexodissidente em perspectiva antihegemônica, sob o ponto de vista que o CIStema é uma tecnologia civilizatória e racista que assegura uma norma de corporalidade e de comportamento necessária a dominação antropocêntrica, assim como a heterossexualidade enquanto regime político, que se fundamenta na família nuclear eurocentrada e estrutura cidades que desencadeiam a superpopulação do planeta, sob uma base de exploração racista. Desta forma ao pensarmos a partir do mote da dissidência sexual, entendemos a pertinência desta categoria como um marco disruptivo civilizatório, presumindo raça, classe, etnia e espécie como condições que desautorizam alguns corpos serem considerados sob a mesma lógica de respeito e importância de um corpo que o racionalismo moderno chamou de humano: aquele branco, heterossexual, cisgênero, civilizado, saudável e fértil.

Numa época de avanço do fascismo, reação cristã, sofisticação dos mecanismos de opressão e reelaboração das estratégias de assimilação, precisamos estar cada vez mais conectadas em rede e desenvolver narrativas combativas e dissidentes que garantam a imaginação e materialização de outros mundos possíveis. Nesta convocatória estimulamos ainda o resgate das concepções e entendimentos de cosmovisões ameríndias e africanas sobre sexualidade e gênero como também incentivamos a localização política e o desmonte colonial das reflexões contemporâneas brancas e eurocentradas a cerca deste tema, que se beneficiam do extermínio etnocída que a colonização, através da religião e da ciência, promoveu contra a pluralidade de arranjos das relações sexuais, de parentesco e gênero, acumulando status, alienando através de uma ruptura fictícia, agregando poder político e repercutindo seus postulados a partir de uma lógica etnocêntrica.

Desta forma convocamos urubruxes, boycetas, bizarres, pombas giras, monstres, positives, pirates, loucas, cyborgues, monstravas, piranhas, cachorres, putes, vacas, sapas, viadas, porcas, morcegos, ratos, aliens e demais não humanes e desumanizades a compartilharem seus trabalhos com esta plataforma, afim de colaborar na construção de uma memória sexodissidente ofensiva e contaminar corpos com a insubordinação e provocação aos sistemas hierárquicos, binários, racistas e especistas de dominação.

O material deve ser enviado até as 18h do dia 16/04/2020 para monstruosas@riseup.net, podendo ser em vídeo, texto, ilustração e fotografia. Os trabalhos selecionados podem virar zines, livros, adesivos, posters, patchs, lambes, camisetas e dvds, que circularão nas bancas da Distro Dysca, – iniciativa que distribui toda a produção da Monstruosas – bem como podem ser exibidos e expostos nos eventos organizados pela Monstruosas, além de indicados e distribuídos para mostras e festivais que a Monstruosas atua como curadora e apoiadora no Brasil e na América Latina. A Monstruosas se compromete com o envio de um kit com dvds, camisetas, zines, adesivo e pachs que contém nosso acervo e as demais obras escolhidas, a ideia é que as colaboradoras se conectem e absorvam o conteúdo propagado, atuem como contaminadoras reproduzindo e distribuindo este material com amigues, além de incentivar a exposição destes materiais pra venda, como forma de obter renda utilizando o trabalho ambulante e autônomo como estratégia de autodefesa para nossa população.

PÓSPORNÔPYRATA – Intersecções entre póspornografia, arte contemporânea e decolonialidade em Fortaleza – CE

Dos dias 22 a 26 de outubro a Monstruosas, em conjunto com a Coletiva Vômito, Distro Dysca, Aline Furtado e Kuceta Plataforma aportam na “terra da luz” a convite de Rao Ni, Bruna Kury e Gil Porto Pyrata, para contaminar corpos com o vírus da insubordinação ao cistema e elaborar criações perigosas e de ataque contra o império heterossexista, em perspectiva antiracista, antiespecista anticolonial e anticivilizatória.

A resisdência PÓSPORNÔPYRATA será realizada no Carnaúba Cultural, Rua Instituto do Ceará, 164, no Benfica, com abertura e encerramento de acesso gratuito, além de dois dias de imersão para vivência e construção coletiva exclusivas para as pessoas inscritas. O projeto contará com exibição de vídeos póspornôs sudakas, estações de experimetação póspornô sensoriais, debate e ação direta pornoterrorista, além da mostra dos trabalhos realizados e uma excitante feira autônoma que marcará a conclusão dos trabalhos.

Os dias 23 e 24 são exclusivos para as 10 pessoas selecionadas através das inscrições realizadas pelo preenchimento do fomulário. As pessoas participantes da residência poderão contar com uma ajuda de custo individual de 50R$.

PÓSPORNÔPYRATA – Interseccções entre póspornografia, arte contemporânea e decolonialidade

Nos arreganhamos a pensar sobre raça e sexo-gênero-dissidência, interseccionando as opressões e privilégios, pensando nesses marcadores sociais que hierarquizam as relações. Como isso reverbera na construção da arte contemporânea?

A proposta é ascender as corpas e sexualidades transviadas e degeneradas em potência do fazer criativo enquanto máquina insurgente, conectadas por uma rede de cuidado, afetiva e de modificação. A residência propõe o estímulo ao erro, já que o bug do sistema somos nós. Processos de localização da opressão à táticas de guerrilha póspornô e possibilidades de rupturas ao cistema heteromachobranco.

A residência pretende conectar artistas que trabalham com póspornô e decolonização e/ou tem ações e vivência de combate e questionamento à hegemonia racista e cis hetero patriarcal. Pq a arte legitimada é a do homem hétero cis branco?

A hierarquia e a linearidade da arte como senhor deus colonizador. Como produções dissidentes articulam fora do grande circuito elitista das artes?

Propomos pensar produções póspornô sudakas para questionar a colonização dos corpos. Quais os tensionamentos sobre a presença destas reflexões no campo artístico? É possível dilatar a fronteira elitista e clubista da arte para que a propagação de nossas narrativas se transforme numa estratégia de sobrevivência no cisheterocapitalismo?

### o pornoterrorismo pode ser um marco implosivo da linearidade que dominou a arte contemporânea? ###

Curador da Residência Rao Ni nasceu em Fortaleza/CE, é transvyade não binário e do corre autônomo. Pesquisa a produção de imagens não normativas que abordam gênero, corporalidades dissidentes e transmasculinidades marikas. Trabalha com fotografia, montagem de vídeo e xilogravura. Atualmente estuda iluminação cênica na SP Escola de Teatro.
Curador da residência Gil Porto Pyrata reside atualmente em São Paulo, é pessoa trans não binária, artista de rua, arte educador, palhaço freak, anarcatransfeminista e terrorperformer, pesquisa pospornografias e masculinidades combativas ao heterocispatriarcado, com uso de linguagens experimentais que circulam entre circo/dança/sonoridades/perfomance/textualidades.
Curadora da Residência Bruna Kury é brasileira, anarcatransfeminista, performer, artista visual e sonora. Atualmente reside em São Paulo e desenvolve trabalhos em diversos contextos, seja no mercado institucional da arte ou em produções de borda. Focada em criações atravessadas por questões de gênero, classe e raça (contra o cis-tema patriarcal heteronormativo compulsório vigente e a opressões estruturais-GUERRA de classes). Já performou com a Coletiva Vômito, Coletivo Coiote, La Plataformance, MEXA e Coletivo T. Atualmente investiga sonoridades no pósporno e a criação de objetuais que são ramificações do trabalho com performance.

PROGRAMAÇÃO

PRIMEIRO DIA – TER 22/10 – 19h
Carnaúba Cultural
Aberto ao público
Exibição de vídeos póspornô sudakas & Roda de abertura.

SEGUNDO DIA – QUA 23/10 – 17H
Carnaúba Cultural
Exclusivo para as inscritas
Estações de experimentação póspornô sensoriais

estação1: Faça você mesme.

estação2 : VÔMITO. vomitamos a velha máxima desnecessária dos concretistas, modernistas, tropicalistas, queers modinha. Oiticica is dead! Vomitamos a nós mesmas para nos reinventar, para não sucumbirmos caladas, para perturbar a norma e implantar desconforto aos que nos subjulgam, vomitamos nossa própria carne, nossa radioatividade, nossos vírus para que todxs se infeccionem, purpurina de nossos ossos.

“A antropoemia – o vômito – interrompe a digestão e a evacuação: reverte a dialética ao não permitir que se faça a síntese. Impedido de virar bosta, todo vômito se faz comestível: na contramão da síntese, vomitar é a possibilidade de comer novamente, e outra vez mais. “Contínua transformação do tabu em totem”.

Todo vômito “já éramos” alimento. É ao mesmo tempo alimento e dejeto, inclusão e exclusão. Ambivalência. O vômito é o pulsante processo dialético e histórico, instável e informe. Força que não estabiliza.”

(ref. a oficina de vômito da coletiva vômito, estação que muta criada por Bruna Kury. no encontro aparece como instalacão.)

estação3 : PÓSPORNO SONORO. “As corpas são únicas, podemos expandir nossos sentidos. Nenhuma medicina branca nem igreja, nem família baseada na cisnorma poderá nos castrar ou nos trancafiar em outres ou em nós mesmes. Faremos de nossas corpas festa, de nossos orifícios transmissores de música de nós mesmes, tentáculos e fios.”
Tecnologias do corpo, suor, pele, próteses, hibridismo, organismo.

TERCEIRO DIA – QUI 24/10 17H
Carnaúba Cultural
Exclusivo para as inscritas
Debates Antihumanistas: Construções coletivas de performances pospornô

com Monstruosas e Distro Dysca – focades nos tesões apocalípticos que se fortalecem desprezando a falocracia da masculinidade tóxica e civilizada. Gozar em cima das ruínas da heterossexualidade e da família nuclear androcentrada é um ato que transforma os esforços para demolição do heterocapitalismo em um orgasmo lascivo, sendo as vivências e as práticas dissidentes, um vírus que se propaga contaminando os corpos com a descolonização dos desejos e afetos. Os prazeres e a forma como se alcança-os também são políticos e fazem parte de uma subversão estrutural acerca do controle biopolítico dos corpos.

“Salimos a la calle, monstruas, mutantes, queers, sudakas, migrantes, disidentes, lxs que despiertan y quieren despertar a otrxs. Derrumbando los muros que impone el (des)conocimiento, follamos de vuelta los vangloriados culos próceres del fascismo, héroes del colonialismo. Les follamos y en el lugar de los hechos eyaculamos los cuerpos de piedra con verdadera historia.”
Ref: fuckthefascism.blogspot.com



QUARTO DIA – 26/10 17h
Carnaúba Cultural
Aberto ao Público
MOnSTRA COLETIVA dos trabalhos com integrantes da residência e artistas convidades.

Feira de obras e materiais contrainformativos com Monstruosas, Distro Dysca, PósPornôPirata, AnarkoBafo, Kuceta Plataforma

Violência racista e cisheterossexista fecha Espaço Cultural das Marias na periferia do Recife

Faixada do Espaço Cultural das Marias, no Ibura, Recife-PE

O Espaço Cultural das Marias no bairro do Ibura, em Recife, foi interditado pelo poder público porque estava sem alvará de funcionamento. Pra quem não sabe o espaço é um Quilombo Urbano de iniciativa de três mulheres negras de terreiro que apoia e incentiva manifestações afro-brasileiras como coco, afoxé, samba e maracatu

A vizinhança hostiliza o espaço por ser frequentado por sapatonas, frangos e travas, pelas gestoras serem lésbicas, bissexuais e pelo local acolher eventos de protagonismo lgbtq+. o bar ainda sofre acusação de ser um antro de usuários de drogas apenas por ser um espaço de sociabilidade e acolhimento da juventude dissidente periférica.

Este rechaço e preconceito é movido por três vizinhos que agem para expulsá-las da rua alegando que existe consumo e a venda de drogas, brigas e orgias, ameaçando levar as meninas que gestionam o espaço e o dono do imóvel ao ministério público.

Se por um lado o Estado age de forma racista impondo uma regularização higienista e elitista, através da obtenção de um alvará para quem está, de forma autônoma, tentando sobreviver como herdeiras de um passado que excluiu os direitos básicos de moradia, acesso a terra e alimentação da população negra, este caso revela que quando as vítimas não colaboram com o cistema heterossexista, a população sexodissidente é jogada a uma total situação de precariedade econômica, vulnerabilidade social e impedida de se expressar culturalmente. Quando falamos de cisheterossexualidade enquanto regime político é porque entendemos, entre outras coisas, que o campo do trabalho privilegia pessoas alinhadas com a cisgeneridade e heteronorma, ou seja, o “proletariado”, como um sujeito revolucionário, marginaliza quem não se encaixa no modelo de trabalhador cisheterossexual.

Desta forma, a Monstruosas tenta mobilizar sua rede de solidariedade para apoiar e fortalecer estas manas negras que vivenciam a dissidência sexual e são retaliadas pela hegemonia racista e cisheterossexista. Para além da crise, está é uma ação que exige uma redistribuição financeira como forma de trazer, dignidade, autonomia e proteção para pessoas negras que estão experimentando e vivendo além dos gêneros e da sexualidade que lhe são atribuídas. O apoio pode ser feito através de deposito na Caixa Econômica Federal em nome de Jéssica Priscilla Torres Lopes Ag: 0047 / Op: 013 / Conta Popupança: 91985-1 / Cpf: 098.222.644-61 ou através desta vakinha. Abaixo o apelo das meninas em suas próprias palavras.

queria ser o mais cética possível, mas é bem difícil numa situação dessa.

então, em conjunto, decidimos que o melhor a se fazer agora é fechar o espaço. essa semana entramos num acordo com o dono do ponto e decidimos que daríamos uma parte do aluguel essa semana e a outra parte até semana que vem. mas entendemos que a vizinhança está realmente com o propósito de nos tirar de lá e que qualquer documento que a gente faça pra continuar trabalhando não vai ser o suficiente, então não ta valendo a pena o desgaste psicológico, físico e financeiro por um lugar onde não nos querem lá. um lugar racista, lgbtfóbico e machista. além disso, todos os trâmites sairia muito caro e já temos muita demanda, muitas coisas pra pagar. na quarta fizemos o “dia das namoradas, nas marias” lá no casarão (conseguimos por uma junção de gente muito foda que se organizou pra nos ajudar e fazer com que esse nosso rolê desse certo. uma delas foi o gabinete das deputadas das juntas e mais algumas pessoas individuais incríveis também) e o dinheiro que conseguimos lá, pagamos o ponto, exatos $500 reais (pra segurar e pagar o outro pedaço na semana que vem). mas ainda falta o depósito onde pegamos as nossas bebidas que tá no valor de $1.400 reais (por conta dessas duas semanas que não podemos trabalhar), mais nossa casa de $450 reais, mais uma dívida no total de $1500 reais, aproximadamente, de coisas que compramos para a melhoria do espaço e que precisamos pagar a galera. a questão é que precisamos pagar a essa galera e recomeçar tudo.

temos consciência de que fizemos tudo muito certinho e que aquele espaço era nosso. um espaço de pretas e pretos. um espaço LGBT. um espaço da nossa família. mas é muito difícil resistir quando se existem pessoas extremamente racistas e lgbtfóbicos que são extremamente “fortes” pra sociedade a ponto de inventar mentiras pra autoridades e conseguir o que querem.

acreditamos que conseguimos mostrar pra todos nossa pretensão. não era um bar, mas um espaço cultural de mulheres pretas, mães, lgbts e candomblecistas que estavam de braços abertos pra acolher quem são os nossos, pra levar nossa cultura pra comunidade, pra movimentar os comércios já existentes e ajudar na criação de outros, de divulgar os artistas do nosso ibura, de acolher, ajudar, trocar e trazer junto com vocês o que é nosso pra nós. a gente sabe que chegamos muito perto disso com a revolta de algumas pessoas.

o intuito da gente, hoje, é conseguir esse dinheiro pra pagar tudo e tirar o resto pra alugar uma casinha maior e montar um espetinho.

a gente realmente precisa de vocês. com doações, com abraços, com a troca.

então falem com a gente, vamos pensar em algo juntxs pra que a gente consiga nos encontrar o mais rápido possível num lugar que realmente seja nosso. mais fortes.

Manifesto Golden Shower: Quando a performance fomenta a crise do CISTEMA

BloCU em São Paulo, onde foi realizada a ação das performers que impressionou o Presidente do Brasil

A repercussão de uma ação pospornô propagada pelo Presidente da República do Brasil no Blocu em São Paulo, trouxe a tona questionamentos que tanto pôs em cheque a postura e o decoro do cargo ocupado pelo incompetente e oportunista Jair Bolsonaro, quanto posicionou uma artilharia moralista contra as protagonistas, que afirmam em seu manifesto não serem homens, recusando a imposição e a reprodução de valores e padrões da masculinidade hegemônica, por consequência conhecida como tóxica.

A ação do senhor presidente foi destaque internacional, não só pela ignorância, mas também pelo despreparo e tamanha estupidez em trazer o pudor e uma moral, que anda em processo irreversível de sepultamento, para depreciar e incitar um controle cristão do carnaval brasileiro e dos blocos que consagram e fazem esta manifestação cultural acontecer. O ataque é acima de tudo contra as práticas não cisheterossexuais, algo que para eles deve ser combatido para não tomar a dominação do CIStema. E nesse ataque lembremos dos clássicos da sexodissidência e reconheçamos que tanto a direita quanto a esquerda colocou nossas práticas e nossas vivências como bizarras, apenas por recusarmos a perpetuar a civilização transformando nossos afetos em ameaça a reprodução humana, Guy Hocquenghem em “Abaixo a ditatuda dos normais”, fala bem da dificuldade da esquerda revolucionária entender o heterossexismo enquanto opressão estrutural. Que fique explícito, se a direita liberal ou a esquerda progressista incluiu nossas pautas, não foi por benevolência ou coerência e sim para assimilar nossa resistência e perpetuar sua hegemônia filosófica.

O Golden Shower, ou como preferimos, Lluvia de Oro, termo que nomeia uma produção pospornô de Nadia Granados, tem parte de seu repúdio baseado no higienismo, prática indiscutivelmente fascista atrelada a uma ideia de limpeza e saúde totalmente racista e cisheterossexista, fundamental para a consolidação de grandes corporações capitalistas, além de propagado, reproduzido e defendido por aqueles que ainda estão imersos num obscurantismo medíocre e por tolice se apavoram com a possibilidade de reconhecer que os valores cristãos e civilizatórios são mais sujos, nojentos e tóxicos que a escatologia que condenam.

Nosso lamento, vai no sentido de não concordar que a prática divulgada pelo presidente está dominando os blocos de carnaval no país, infelizmente. ‘Goldenshowerizar’ primeiramente o carnaval e depois todo o calendário deveria ser um devir da sexodissidência em tempos que uma gang de milicianos tomou o poder de assalto com uma propaganda trapaceira e falaciosa, defendendo castração química para estupradores – já que para eles isso se trata de líbido e não de poder e violência – liberação do porte de armas e que meninos vistam azul e meninas rosa. A conclusão final sobre isso tudo é que se Jesus realmente tivesse subido numa goiabeira ele teria posto os frutos no cu, transformado em granadas e atirado na cabeça dessa corja de canalhas que se apropriam de seu nome disseminando ódio, eliminação da diferença e agressividade para defender estas verdades torpes que já foram desmentidas e desmistificadas.

MANIFESTO GOLDEN SHOWER

Ao contrário do que disse o presidente da República, o vídeo que ele tuitou não era “um fervo imoral de carnaval”. Era uma performance, ato de cunho artístico, planejado, com intuito de comunicar uma mensagem de artistas. Nossa performance, portanto, é ato político. Um ato contra o conservadorismo e contra a colonização dos nossos corpos e nossas práticas sexuais.

Nós somos a Ediy, uma produtora pornográfica que trabalha a partir de corpos e desejos desviantes. O pornoshow é uma prática de performance, dança e pornô contra a pornografia tradicional, que coloniza e encolhe nossa sexualidade. Nossos corpos e desejos dissidentes rompem com os papéis de gênero machistas e misóginos que enxergam os corpos feminilizados como buracos. Nós estamos ao lado da imoralidade de vidas ditas como irrelevantes e matáveis. Somos os corpos não docilizados da escatologia social. Nossos desejos não dialogam com o sistema sexo-produtivo do cis-heterossexismo, masculino e branco. Em tempo: não somos homens, somos bixas.

Apesar de surpresas com a repercussão do registro da nossa performance, a pornoshow, é importante contextualizar a ação que o presidente e sua turma tiveram acesso via Twitter. Ela é uma resposta ao retrocesso moral e institucional que avança desde o dia de sua posse, porque estamos cansadas.

O presidente, frente à enxurrada de críticas nos carnavais de todo país, preferiu produzir outra cortina de fumaça nas redes. Afinal, é mais importante fiscalizar o cu alheio (literalmente) que tratar de administrar o país e dar melhores condições de vida para quem precisa. E nós, a população brasileira, merecemos respeito independente das práticas sexuais, das identidade de gênero, de raça e de classe.

Já que o presidente nos viralizou, propomos uma discussão sobre práticas sexuais não hegemônicas e hegemônicas. Não esperem que transemos para reprodução, tampouco que nos digam como devemos transar. Não estamos aqui para falar o que é certo, errado, ou impor qualquer coisa. Queremos respeito e direitos iguais.

Agradecemos pela divulgação e nos colocamos abertamente a favor do seu impeachment. Os ataques a direitos historicamente conquistados, a licença para matar conferida contra as populações indígenas, invisibilização de populações marginalizadas como nós LGBTTQIAN+, os ataques às mulheres cis e trans e à população negra, quilombola e com diversidade funcional o justificam. Pois estamos sendo MORTAS e nossos direitos sendo violados.

Mas nós já começamos e não vamos parar. Não daremos nenhum passo atrás. Para encerrar a polêmica sobre o carnaval, estamos de acordo com Leandro Vieira, carnavalesco da vitoriosa Mangueira: “O carnaval é a festa do povo, é cultura popular. Não é o que ele acha que é. Ele devia mostrar para o mundo o carnaval da Mangueira, da arte e da luta.”

#ImpeachmentBolsonaro #goldenshower #pornoLGBT+ #posporno #sexodissidencia

Monstrash em POA, encontro sexodissidente reunindo corpas bizarras em resistência antifascista

A MoNSTraSH é uma agitação política que utiliza o audiovisual como ferramenta de contestação às culturas hegemônicas de sexualidade e gênero. Dando visibilidade a vozes periféricas e dissidentes na arte, além de reunir produções independentes do Brasil e América Latina, buscamos reunir narrativas que questionem o binarismo de gênero e suas tecnologias, a heterossexualidade compulsória enquanto regime político e o cissexismo enquanto estrutura de controle intrínseca na construção do projeto de humanidade e de nossos corpos. A mostra tem como principal objetivo propagar uma cultura de resistência sexodissidente, que materializa não só um outro mundo, mas sobretudo a emergência de outros desejos antisistêmicos possíveis. Exibindo experimentações artísticas e políticas de uma póspornografia que combate o CIStema, colocando corpos não hegemônicos, bizarros e estigmatizados no centro da mandala dos desejos para excitar nossos horizontes e ensaiar a emancipação da colonização que programou nossa subjetividade.

Contando com a presença de pesquisadoras, ativistas, produtoras e artistas que pensam, produzem e vivem experimentando práticas sexuais não cisheterossexistas, o evento é articulado pela Coletiva Vômito e Monstruosas, levando à capital gaúcha uma cultura de resistência sexodissidente, materializando não só um outro mundo, mas sobretudo a emergência de outros desejos e afetos possíveis.

Em tempos tão difíceis tomados pelo inconformismo autoritário contra a livre expressão da existência sexodissidente, a MoNSTraSH representa uma agitação cultural combativa contra o avanço fascista e com relevância nos atuais debates das artes, da sociologia, antropologia e filosofia.

Além da estreia de filmes com curadoria da Distro Dysca e Kuceta Póspornografias, o evento contará com um debate sobre a assimilação da pornografia dissidente por parte do mercado capitalista, uma ótima janela pensar este debate por uma perspectiva não branca e kuir sudaka. Performances com artistas locais e de outros estados brasileiros, além do LineUP com Suelen Melo e HectaMonstra.

PERFORMANCES

A pertinência das performances no questionamento da cisheterossexualidade enquanto sistema político é poder utilizar o corpo moralizado como suporte e meio que expressa possibilidades atingíveis e materializa narrativas como uma espécie de ação direta, que qualquer um pode fazer uso. E é através dos usos que construímos a nós mesmes. Nosso gênero e nossa sexualidade, antes de ser um sistema sempre foi um fazer! A construção do gênero envolve repetição e improvisação em um cenário dado. Se nosso cenário já foi definido e nos é desfavorável, nossas repetições e improvisações construíram e construirão experiências dissidentes que conscientes de suas localizações políticas devem aprender a coexistir entre si, ameaçando a norma e a moral que as extermina.

SEXUALIDADES MONSTRAS EM DEBATE

Racionalizar experiências dissidentes, também diz respeito a construção legitima de narrativas sobre o que fazemos, vivemos e sentimos diante de um contexto de objetificação de nossos corpos que leu e propagou nossa prática e nossa existência como bizarra, anormal e monstruosa!! A urgência do painel “Sexualidades Monstras em Debate” serve para ecoar nosso sentido sobre o que produzimos, concebemos e criamos para combater um discurso hegemônico e ideológico que nos acusa de querer doutrinar este mundo fracassado por um controle que perdeu seu sentido e sua força! Bruna Kury e Hariagi Kapirótika compartilharão suas visões a cerca das hegemonias que nos ronda com tensionamentos que visibilizam as perspectivas de resistência e fissuras que tanto tentam nos esconder e tirar!

4ª Edição da Danzando en Revolta encerra o Ato de Publicação do “Testo Junkie” e “Notas E-videntes”


A partir das 18h o MAMAM virá uma barricada sexodissidente contra o heterocapitalismo. Em sua quarta edição a Danzando em Revolta, apresenta corpos insubmissos como arma bélica que transformarão a pista de dança num ambiente consagrador de expressões sexuais antihegemônicas, onde a destruição da cisheterossexualidade, trará os ruídos para nossas existências dançarem em revolta. Desde 2015 a festa é marcada pela realização de performances que questionam valores opressores, politizando a diversão, proporcionando reflexões através de expressões artísticas marginalizadas e projetando artistas sexo-dissidentes que tem na política emancipatória inspiração para suas pesquisas e criações.

A pista será comandada pelos DJs Dante Olivier e Amethyst, que terão como missão compartilhar um lineup original e dançante, além do show de Yohana Rodrigues conduzindo o público à diversidade da cultura negra para ecoar os gritos de liberdade que exalam entre as lacunas rochosas da hipocrisia.

Já o comboio Box Preparação com os artistas Iagor Peres, Letícia Barbosa e Jorge Kildery apresentam a performance “Só Vai Quem Curte” uma bela provocação que se alimenta nas possibilidades de prazer antihegemônicas. A noite também conta com Nubia Nena Callejeira e sua “Guia Anônima” deslocando a objetificação e a violência sexista para os corpos privilegiados, de maneira que sintam o peso da norma que os protegem.


Feira Autônoma Sexodissidente no Recife, apresenta o trabalho ambulante enquanto estratégia de autodefesa LGBT


Organizada pela Distro Dysca, Monstruosas e N-1 Edições a feira é uma ação que marcará o Ato de Publicação do livro “Testo Junkie” de Paul B. Preciado e o lançamento do zine “Notas E-videntes Para o Fim de um Mundo” de Ali do Espirito Santo em Recife – PE.

Com formato livre e autônomo, a feira surge na tentativa de garantir um espaço que possibilite o exercício da autonomia financeira pela população sexodissidente, ou seja, pessoas que contrariam os padrões e a estrutura cisheterossexista. A importância de construir uma feira com PROTAGONISMO INTEIRAMENTE SEXODISSIDENTE se dá para que pessoas em não conformidade com a norma cisheterossexual possam não só compartilhar seus conhecimentos e produções, mas também possam se encontrar entre si, criar parcerias, articulações e fomentar redes. A perspectiva é trazer o trabalho autônomo e ambulante enquanto estratégia de autodefesa de uma população que ainda é eliminada das instituições de formação escolar e sofre com o abandono, conflitos e exclusão familiar.

Com início a partir das 14h, a feira será animada pelo line-up de Leonardo Tenório e contará com as bancas da Distro Dysca, N-1 Edições, Carla Muniz Macramê, Cabide, Cantinho Astral, Comedoria Futurista, Brownies VegTaba, Dhuzati, Rafael Soares, Coletivo OCUPIRA, Duda Tatto, Eduardo Guimarães e Caetano Costa. Serão comidas veganas, camisetas, adesivos, brechó, livros, zines, acessórios, artesanatos, biojoias, quadros, ilustrações, contos eróticos, fotografias e colagens, trazendo uma potente variedade de produtos, condição que caracteriza uma boa feira livre. No espaço ainda teremos Christian Lean, fazendo cabelos e sobrancelhas de quem quiser dar uma repaginada no visual e o studio de Duda Oliveria e Muro, tatuadores com traços artísticos, desenhos autorais e exclusivos.


Devido a imposição de uma moral que deslocou o sexo e a sexualidade para o centro da atividade política e econômica, vemos que o capitalismo criou a cisgeneridade e a heterossexualidade como tecnologia para exercer um controle psíquico, afetivo, reprodutivo, subjetivo, territorial, populacional e laboral que exclui violentamente, marginaliza e extermina corpos que não reproduzem suas normas e não legitima suas instituições, impedindo-os de existir, para que outros arranjos possivelmente conflitivos não emerjam e comprometam estruturalmente o projeto de sujeito humano civilizado. Não por acaso, nos espaços hegemônicos em geral, pessoas lgbts que não reforçam padrões heterocentrados são vistas como aberrações, anormais e sofrem agressões, ofensas, assédios e ameaças, piorando os níveis de hostilidade e vulnerabilidade nas demonstrações públicas de afeto e quando se intersecciona as condições de raça e classe. No capitalismo o sexo tornou-se parte tão importante dos planos de poder que o discurso sobre a masculinidade e a feminilidade transformaram-se em agentes de controle da existência, sendo inconcebível deixar de ser homem ou deixar de ser mulher.

É neste contexto que no dia 15 de Setembro a partir das 14h, no MAMAM, a população recifense poderá fortalecer esta iniciativa que empodera corpos estigmatizados, chamando todas aquelas que se dizem aliadas na luta contra o cisheterossexismo a atuarem numa importante ação de redistribuição financeira e geração de renda, estimulando e impulsionando carreiras que tem no trabalho autônomo, na produção artesanal e na articulação coletiva uma estratégia que permita que corpos estigmatizados encontrem meios básicos de sobrevivência e se nutram de uma autoestima que reconheça a potência e o valor de seus fazeres.

Convenção das Themonias, uma convocação sexodissidente para um motim de corpos bizarros na Amazônia


No dia 7 de setembro acontece no Boteco Socialista em Belém do Pará a 1ª CONVENÇÃO DAS THEMONIAS. Chamado pelas themonias amazônicas, o encontro pretende ser um intercambio e um momento de discussão na tentativa de organizar ideias e neuras que fortaleça corpos themonizados da Amazônia, em diálogo com a floresta e a cidade.

Com trabalhos e performances em constante mutação, assim como a floresta, e com a presença das icônicas Sarita di Xzuis e Uýra Sodoma, as themonias de Belém veem no encontro uma possibilidade de criar uma rede colaborativa entre as themonias da Amazônia que aproxime e fortaleça os afetos, suas batalhas diárias e transtorne a realidade, uma vez que “se nossa existência é uma ameaça, nossas ações passarão a ser um atentado!”

Uýra Sodoma themonia amazônica que usa a floresta como inspiração criativa sempre é recebida com reações de encanto ou de medo

Sarita di Xzuis, tem como missão ressignificar o lixo e o conceito de montaria por meio dos seus looks

 

CONVOCATÓRIA PARA A Iª CONVENÇÃO DAS THEMONIAS

É com muita encaralhação que convocamos todxs xs Themonias, monxtras, estranhxs, pessoas precárias, que não cabem na caixa e subvertem a ordem na luta diária pela reexistência, para um encontro, uma convenção para discutirmos as nossas demandas como grupo socialmente marginalizado, sendo vistas enquanto ameaça pelo CIStema heterocapitalista, percebendo a heterossexualidade enquanto norma que nos impõe crenças, moralidades e comportamentos na tentativa de nos dominar e por isso nos assassinam, themonizam nossos corpos, nossa ancestralidade e o direito de existir.

Acreditamos que nossas neuras vem se expressando em nossos corpos seja de forma artística como drag ou socialmente enquanto travestis, pessoas trans, não binárias, sapatonas, beshas, periféricas e pessoas precárias, nossas diferentes performances e identidades criadas são vistas como ameaça à moral social e por isso somos themonizadas. Cada encontro, festa ou ocupação dos diferentes espaços onde coexistimos também gera uma reação, seja na floresta urbanizadas em que vivemos ou na Amazônia profunda, um dialogo da nossa diversidade subjetiva enquanto grupo que afeta e é afetado pelos diferentes contextos que ocupamos.

Convocatória de trabalhos para 2ª Edição do Festival Kuceta prorrogadas até 15 de Setembro


Convocamos a todas as corpas que desejem desconstruir e mover os desejos dissidentes! Corpas transfronteiriças que quebram a hegemonia inventando novas noções de prazeres sexuais, por meio de produções pós pornográficas.

Nos opomos à pornografia comercial que reafirma opressões de gênero, padrões sócio-culturais e hierarquias do sistema cis-hetero-capitalista.

Convocamos as corpas gordas, racializadas, generificadas, transvestigeneres e não bináries, com diversidade funcional e/ou intelectual e todas as corpas que fujam das normatizações dessa cultura branca e higienista que segue a lógica da colonização compulsória. Para que, desde as dissidências sexuais, rechacemos esse papel de sub colonizades e domme colonizadores. Porque já não nos serve mais, porque não seremos os corpos abjetos deles. Seremos as nossas corpas desejantes e insubmissas, reativas e repulsivas, subversivas, asquerosas e orgásticas, redistribuindo e retomando o que é nosso. Propomos também refletir sobre assistência sexual como uma questão de saúde, prostituição como uma possibilidade profissional (quando não compulsória), BDSM como práticas subversivas passíveis de problematização e todas as outras formas de trabalho sexual, que deve ser exercido de maneira segura para todxs que o praticam.

Pensamos em reparação histórica, onde corpas subalternizadas agora falam por si, queremos destruir o heterocapitalismo, e começamos por afetuosidades revolucionárias; se você também é marginalizade e quer fazer parte desse encontro, envie-nos suas produções! DIY! A revolução será transfeminista ou não será.

KUCETA PÓSPORNOGRAFIAS é projeto independente e não remunerado

ENVIO DE PROPOSTAS

Pedimos que nos esclareçam algumas informações da sua proposta para que a gente possa entender melhor, buscando montar uma programação consistente e potente politicamente.

Enviar sua(s) proposta(s) com as informações descritas abaixo, em formato .PDF ou .DOC para o e-mail kucetaposporno@gmail.com ATÉ O DIA 15 DE SETEMBRO DE 2018, AS 23H59 (fuso São Paulo). Estão sendo aceitas até 3 propostas por pessoa. A seleção será divulgada através de e-mail para pessoa selecionada. (no caso de obras físicas a entrega será coordenada com cada artista)

PARA TODAS AS PROPOSTAS

  • Nome dx artista ou coletiva com pequena descrição de sua produção/intenção/ativismo (não mais que 5 linhas)
  • Declaração dx inscritx para que possamos usar a mesma programação em futuras edições do mesmo festival: “Eu, XXX, documento, autorizo a equipe de Kuceta (pós-pornografias) a expor minha obra em futuras edições do mesmo”

VISUAIS

Compreende-se como visual, produções impressas ou digitais, tais como: fotografias, gifs, ilustrações, objetos, esculturas, etc

  • Descrição do projeto
  • Arquivos digitais ou fotos das obras propostas
  • Ficha técnica da obra: título, autor (s), tamanho, linguagem, país, ano, materiais.
  • No caso de propostas de obras físicas pedimos que nos indique onde está a obra, e que nos sugira como poderíamos coordenar para recebê-la(s).

AUDIOVISUAIS

  • Serão aceitos os seguintes gêneros audiovisuais:
    POSPORNOGRAFIAS | de até 20min
    AMATEUR | de até 15min
    VIDEO-PERFORMANCE | de até 10min
  • Sinopse (até 10 linhas)
  • Ficha técnica da obra: título, autorx(s), gênero, idioma, país, ano, duração, outra membro da equipe técnica.
  • Fotograma do vídeo (para divulgação)

BANKINHA KUCETA (FEIRA DA PUTARIA POLÍTICA)

Chamamos a todxs que queiram montar bancas para vender produtos autogestivos. fanzines, objetos, desenhos, stickers, dildos, lubrificantes,roupas e acessórios que dialoguem com o tema, comidas veganas, flash tatoo, etc.

  • Descrição da proposta [sobre o trabalho que você(s) faz(em)]
  • Se quiser adicione algumas fotos para a gente matar a curiosidade
  • Dizer se pretende estar vendendo durante os dois dias do festival ou,caso não seja de São Paulo, como nos enviaria seus produtos e se poderá ter ume representante com a gente.

 

CASO O MATERIAL ESTEJA EM OUTRO IDIOMA QUE NÃO ESPANHOL OU PORTUGUÊS, SERÁ ACEITO DESDE QUE TENHA LEGENDA EM ALGUM DESSES IDIOMAS.

NÃO SERÃO ACEITAS PROPOSTAS EM OUTROS FORMATOS,

NEM PROPOSTAS ENVIADAS DEPOIS DO DIA 15 DE SETEMBRO DE 2018

MAIS INFORMAÇÕES:
Edital Oficial em PDF
Página do evento no facebook

“Testo Junkie” e “Notas E-videntes Para o Fim de um Mundo”, propaga conhecimento sexodissidente em Recife


Dia 15 de setembro acontece no MAMAM – Museu de Arte Moderna Aluíso Magalhães, o Ato de Pulicação do livro “Testo Junkie” de Paul B. Preciado e o Lançamento do zine “Notas E-videntes Para o Fim de um Mundo” de Ali do Espirito Santo. O evento terá uma roda de diálogo com relatos de experiências, apresentação dos títulos e a presença de Társio Benício, Amanda Palha e Akuenda Translésbicha; a realização da 1ª Feira Autônoma Sexo Dissidente e a quarta edição da Danzando en Revolta, trazendo a pista de dança como campo de guerra com apresentações artísticas e melodias transmusicadas.

Publicado em português pela N-1 Edições, “Testo Junkie” narra a experiência do autor, homem trans, em seu próprio uso de testosterona e o impacto do hormônio no seu corpo, levando-o a refletir como a síntese de hormônios, desde a década de 1950, mudou fundamentalmente a forma como gênero e identidade sexual são formulados e como as indústrias farmacêutica e pornográfica integraram essa tecnologia com a criação e regulação de desejos enquanto negócios.

Já o zine de Ali do Espirito Santo, publicado pelo selo Monstruosas, é uma crítica aos regimes de subserviência neoliberal (ou assimilação capitalista) que aponta questões sobre a biopolítica das ruínas – o mito do nascimento como a salvação do projeto de Humano – com olhar atento para as políticas representativas que trancafiam os corpos numa ode ao sofrimento e a impotência.

O filósofo e curador Paul B. Preciado

Ali do Espirito Santo, ensaísta, artista visual e performer

Levando a cabo o mote “nada sobre a gente sem a gente” queremos também estimular e trazer o protagonismo da população sexodissidente numa ação de redistribuição financeira e geração de renda com a Feira Autônoma Sexo Dissidente. A ideia é criar um espaço de compartilhamento com pessoas em não conformidade com a norma cisheterossexista, para que elas possam expor produções, se encontrar, formar parcerias e articular redes. A feira quer firmar o comércio autônomo enquanto estratégia de autodefesa de uma população que ainda é eliminada das instituições de formação escolar e sofre com o abandono e a exclusão familiar. Já contamos com a inscrição de várias bancas e mantemos aberto o convite para produtores, artistes, artesãs, vendedores ambulantes e cozinheires. A participação para expor na feira é EXCLUSIVA para população LGBT, e as inscrições devem ser feitas aqui.

Finalizando o evento, a quarta edição da Danzando em Revolta, trás o DJ Dante Olivier no comando do som, mais as performances de Nubia La Nena Callejera, Yohana Rodrigues e Iagor Peres apresentando seus corpos como arma bélica. Atrações que transformarão a festa em ruídos da queda dos preconceitos para que nossas existências possam dançar em revolta.

Este Ato de Publicação é organizado pela N-1 Edições e a Distro Dysca que se juntam com objetivo de criar uma agitação política, debatendo temas pertinentes ao desmonte do retrocesso institucional que vivemos para que o hoje não seja preservado para alguns poucos hegemônicos sobre as costas de tantos outros.