DACS UFPE divulga nota de repúdio contra a UFRPE

Depois da nota de repúdio contra a censura da performance TRANS(torno)ISTO ser entendida como uma declaração de guerra pelo DACS-UFRPE, ativistas da dissidência sexual buscaram apoio de diversos organismos políticos com o objetivo de levantar resistência contra as retaliações da instituição e questionar de maneira construtiva, as posturas e medidas tomadas pelo DACS-UFRPE, que até o momento não entende o veto a performance como censura,  expondo, não só uma problemática a cerca da ideia do termo, mas sobretudo, a incapacidade de perceber que não existe coletivos e pessoas imunes de reproduzir comportamentos e posições autoritárias.

Segue abaixo a nota do Diretório Acadêmico de Ciências Sociais da UFPE:

NOTA DE REPÚDIO CONTRA Á POSTURA DA UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO E QUESTIONAMENTO AO DIRETÓRIO ACADÊMICO DE CIÊNCIAS SOCIAIS.

22603_751430484955536_14077821047781605_n

O DACS-UFPE entende a performance TRANS(torno)ISTO, apresentada no dia 19/03 no Centro de Ensino e Graduação – CEGOE, na semana de recepção de calourxs de Ciências Sociais da UFRPE como uma intervenção artística de cunho político. Enquanto Diretório com função de garantir o direito dos estudantes de ciências sociais, não poderíamos deixar de nos posicionarmos contra a criminalização e medidas tomadas durante e após a intervenção.

Vivenciamos diariamente dentro e fora da Universidade a opressão e a censura diante de tudo que não se encaixa no modelo de ideologia normativa, que garante e reforça privilégios de grupos que, por existir, oprimem e excluem. Acreditamos que a Universidade age dentro de um modelo de Instituição controladora do corpo e não entendemos, nem compactuamos, com qualquer tipo de censura e medidas de imposição, como as que ocorreram. Compreendemos que as posturas da Instituição levantam um precedente perigoso devido às tentativas de criminalização da criação artística, como também, no que se relaciona ao modo como este ambiente acadêmico lidará com os questionamentos, comportamentos e produção de conhecimento críticos, contestadores e “não científicos”.

Entendemos também que boa parte das acusações e preconceitos em relação à apresentação existem por conta das cenas de nudez que se apresentam de maneira inconveniente a muitos olhares. Isso ocorre, principalmente, porque a moral hegemônica/dominante na qual somos “socializados” tem como um de seus fundamentos a repressão da expressão corporal aprisionada pela culpa. Uma moral heteronormativa e patriarcal que recrimina a ciência e a arte quando não servem estritamente à burguesia, aos heterossexuais, aos brancos e aos homens-cis.

Somos contra a postura de Instituições, manifestações e atos que reproduzem esta moral vil que serve apenas a esta parte da sociedade. Sentimo-nos responsáveis por combater ações repressoras, preconceituosas e excludentes. Somos a favor do corpo, da singularidade e não apoiaremos nem nos calaremos diante de instituições e atos que reproduzam este tipo de pensamento que não abre espaço ao diálogo. Propomos uma Universidade incentive a crítica, a inventividade, a autonomia e a resistência.

Vemos a discussão e apontamentos suscitados pelo ativismo da dissidência sexual como uma pauta extremamente pertinente, por isto, prestamos apoio e solidariedade as performers envolvidas, bem como solicitamos o cancelamento dos processos e inquéritos policiais e a imediata abertura de um grande debate sobre o fazer artístico e produção de conhecimento. Dentro da Universidade trabalhamos com multiculturalidade e representatividade e, assim como o DACS-UFRPE, também acreditamos que há diversas formas de desconstrução quando se trata do debate acerca de gênero e sexualidade. Dessa maneira, pensamos que a performance TRANS(torno)ISTO é uma forma combativa e direta de possibilitar essa desconstrução e que, por essa razão, não deveria ser vetada nem punida. E o que chamam de “elementos não-convencionais”, chamamos de elementos reais e existentes que são proibidos todos os dias em nossa sociedade.

Nos propomos a participar de um grande debate com o DACS-UFRPE e com os demais envolvidos. Por fim, apoiamos a performance e valoramos positivamente sua combatividade. Além disso, repudiamos o machismo e a transfobia da parte de quem representa a instituição enquanto “seguranças”: acreditamos que estes, sim, devem ser punidos. Machistas, racistas, homo, lesbo, bi e transfóbicos não passarão!

Por uma Universidade que defenda a multiculturalidade e a representatividade de Todxs

1926923_585659021523403_505054306_n

Professora da área de política declara posição sobre a performance realizada na UFPRE

AOS INTEGRANTES DA COMUNIDADE ACADÊMICA DA UFRPE

EM VIRTUDE DA POSTAGEM NO MEU FACEBOOK SOBRE A PERFORMANCE REALIZADA POR ALUNOS DA UFRPE, NA SEMANA DE CALOUROS, QUERO INFORMAR QUE:

NÃO ASSISTI ESSA MANIFESTAÇÃO, E, PORTANTO, NÃO ME SINTO COM CONDIÇÕES DE OPINAR DE FORMA MAIS CLARA E PRECISA SOBRE O OCORRIDO, MAS TENHO ALGUMAS CONSIDERAÇÕES A FAZER PARA REFLEXÃO DA COMUNIDADE ACADÊMICA:

1. QUE SEJA ASSEGURADO AS PESSOAS ENVOLVIDAS NO OCORRIDO O DIREITO AO PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA, QUE É ASSEGURADO A TODOS PELO ARTIGO 5º, INCISO LV DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA – “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”;

2. E, SEJA OBSERVADO O CONSTANTE NO INCISO IX DO MESMO ARTIGO DA CF QUE REZA “ é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

3. SEGUNDO FUI INFORMADA, DURANTE A PERFORMANCE NÃO OCORREU LESÃO, NEM AMEAÇA AOS DIREITOS, NEM FOI FERIDA A INTEGRIDADE FÍSICA NEM MORAL DE TERCEIROS.

4. QUERO DECLARAR QUE JÁ FUI PROFESSORA DE UM DOS ALUNOS QUE APRESENTOU A PERFORMANCE E, QUE SÓ TENHO A ELOGIAR SEU COMPORTAMENTO EM SALA DE AULA. E, QUE MESMO DEPOIS DE TER SIDO SUA PROFESSORA SEMPRE RECEBI DELE UM TRATAMENTO AMIGÁVEL, INCLUSIVE HÁ CERCA DE UM ANO ATRÁS CONCEDI NA SEMANA DA CALOURADA DE CIÊNCIAS SOCIAIS UM ESPAÇO NA RODA DE DIÁLOGOS, PARA QUE ELE PUDESSE EXPOR SUAS POSIÇÕES ANTIPATRIARCAIS E ANTICAPITALISTAS. E, TUDO OCORREU DE FORMA TRANQUILA.

5. SEMPRE RESPEITEI A POSIÇÃO POLÍTICA E SEXUAL NO DISCENTE;

6. EM TESE, CONSIDERO QUE A UNIVERSIDADE TEM QUE ABRIGAR UM ESPAÇO PARA AS MAIS DIVERSAS MANIFESTAÇÕES POLÍTICAS, CULTURAIS, ANTIPATRIARCAIS, FEMINISTAS TRANSEXUAIS E DE TRANSGÊNEROS. E, QUE, DESCONHEÇO EXISTIR NA UFRPE UM ESPAÇO ACADÊMICO DE DISCUSSÃO E PESQUISAS QUE PROPICIEM REFLEXÕES SOBRE O TEMA.

7. QUE SE CONSTITUI UMA HIPOCRISIA NEGAR O CARÁTER MACHISTA, PATRIARCAL E HOMOFÓBICO EXISTENTE NA SOCIEDADE BRASILEIRA, SOBRETUDO A NORDESTINA, QUE LEVA A UM AUMENTO PROGRESSIVO DA VIOLÊNCIA E ASSASSINATOS CONTRA OS HOMOSSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSGÊNEROS.

8. É FATO QUE, DE FORMA LENTA, MAS CONCRETA AS UNIVERSIDADES VÃO CONCEDENDO ESPAÇOS PARA QUE ESSAS PESSOAS POSSAM SE MANIFESTAREM E SEREM TRATADAS COM DIGNIDADE

9. A SOCIEDADE E O MEIO ACADÊMICO DEVE TER UMA PERSPECTIVA INCLUSIVA, E DE ACOLHIMENTO AOS TRANSEXUAIS, TRANSGÊNEROS. E, QUE A UNIVERSIDADE, SE CONSTITUI UM ESPAÇO, POR EXCELÊNCIA, PARA QUE O ASSUNTO EM TELA SEJA DISCUTIDO E PESQUISADO. ALÉM DE TER A SENSIBILIDADE DE ACOLHER E ACOMPANHAR PSICOLOGICAMENTE OS DISCENTES QUE TEM UMA IDENTIDADE DE GENERO DIFERENTE DA QUAL NASCERAM BIOLOGICAMENTE, OU SE DECLARAM HOMOSSEXUAIS, TRANSEXUAIS ETC. UMA VEZ QUE A SOCIEDADE JÁ OS DISCRIMINA DE FORMA CRUEL.

10. QUE É UMA REALIDADE A AUSÊNCIA DE TRAVESTIS E TRANSGÊNEROS NAS UNIVERSIDADES, EM VIRTUDES DAS DIFICULDADES ENCONTRADAS NOS SEUS COTIDIANOS, E EM TODAS AS ÁREAS DE SUAS VIDAS.

11. EM 2012 A UFPB REALIZOU UM ENCONTRO DO PROGRAMA DE EXTENSÃO INTITULADO “DIVERSIDADE SEXUAL E CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS” REALIZADO EM CONJUNTO PELO NÚCLEO DE DIREITOS HUMANOS (NCDH/UFPB) E, PELO FÓRUM DE ENTIDADES LGBT DA PARAÍBA. O EVENTO FOI COMPOSTO POR RODAS DE CONVERSAS, OFICINAS, MOSTRA ARTÍSTICO-CULTURAL, COM PERFORMANCES, BANDAS DE MÚSICAS E DJs.

12. TAMBÉM O CONSELHO UNIVERSITÁRIO DA UNIVERSIDADE DE SÃO CARLOS – SP APROVOU, EM 2014 QUE “o nome social, prenome pelo qual travestis e transexuais se identificam e são identificados em relações sociais, deverá ser usado em registros, documentos e atos da vida funcional e acadêmica, como, por exemplo, no cadastro de dados e informações de uso social, nas comunicações internas de uso social, no endereço de correio eletrônico, em documentos internos de natureza administrativo-acadêmica, tais como diários de classe, formulários e divulgação de resultados de processos seletivos, e em solenidades, como entrega de certificados e colação de grau, entre outros”. E, FOI SEGUIDO POR DIVERSAS UNIVERSIDADES EM SÃO PAULO.

13. QUE É MUITO FÁCIL SE POSICIONAR CONTRA PESSOAS QUE A SOCIEDADE DISCRIMINA, PERSEGUE, FINGE QUE NÃO VER E ESTIGMATIZA. AS GENIS DA VIDA, QUE CHICO BUARQUE RETRATOU DE FORMA MAGISTRAL NA ÓPERA DO MALANDRO.

BEM, COMO FUI PROVOCADA PARA ME MANIFESTAR, NÃO POSSO ME ESQUIVAR DE APRESENTAR A MINHA POSIÇÃO ACERCA DO ASSUNTO.

ROSEANA MEDEIROS
Prof. Dra. do DECISO – UFRPE

Ação performática é censurada pelo Diretório Acadêmico de Ciências Sociais da UFRPE

Nesta semana ativistas da dissidência sexual foram censuradas e impedidas de apresentar uma intervenção artística pela entidade de representação dos estudantes de ciências sociais da UFRPE. A performance, que continha cenas de nudez, era voltada para os calouros do curso e pretendia contribuir com os debates sobre gênero que iriam acontecer no dia 19.

Como forma de prestar solidariedade as ativistas, publicamos a nota de repúdio com mais detalhes do caso:

NOTA DE REPÚDIO CONTRA O DACS-UFRPE

405-1318527602

O impedimento e censura executada ao ativismo da dissidência sexual1, na semana do calouro organizada pelo DACS/UFRPE, revela não só a sofisticação da academia em invisibilizar emergências questionadoras da heterossexualidade compulsória2 por todas as suas instâncias burocráticas e organizacionais, como também o perfeito alinhamento do diretório acadêmico com o conservadorismo e violência machista, ao tentar barrar uma performance artística antisexista e ao mesmo tempo propagar uma festa usando esteriótipos de objetificação da mulher a partir de músicas sexistas e misóginas.3

Uma pessoa ligada ao ativismo da dissidência sexual foi convidada por dois membros ativos do diretório a organizar o dia referente as reflexões sobre as questões de gênero na programação da semana do calouro. A proposta inicialmente recusada, foi aceita devido a exposição das dificuldades em organizar o evento e a confiança que estas duas pessoas dispuseram na ativista, sobre sua capacidade de articular bons nomes, garantindo a boa qualidade da atividade, dando-lhe assim carta livre para estruturar o dia.

A ativista montou um esquema diverso de apresentações de forma que garantisse a pluralidade e as múltiplas visões a cerca do gênero tanto no debate acadêmico, quanto no debate mais ativista, sendo uma exibição de filme com um pequeno debate com relatos de experiência trans, uma mesa no formato mais academilóide encerrando com uma performance artística.

tire-seus-padroes-do-meu-corpo-258400-1Durante uma reunião realizada no dia 13/03 membros do diretório, sem a presença da ativista apontaram uma inclinação que a performance não deveria ser apresentada, pois acreditam que o ambiente acadêmico deveria priorizar outros tipos de ações e que existiria a possibilidade da performance ser mal recebida junto ao corpo docente e administrativo do curso.

Fato é que no domingo 15/03 foi comunicado a ativista que pela performance conter cenas de nudez, o coletivo do diretório acadêmico impediu a sua realização justificando sua ação como uma estratégia para não sujar a imagem de uma articulação incipiente e considerando esta ação não apropriada para calouros de ciências sociais, bem como para o espaço acadêmico. Por sua vez, tendo seu esforço primeiramente com total liberdade e posteriormente censurado, a ativista decidiu se retirar da organização da atividade.

As justificativas do diretório acadêmico, revelam uma posição política que se compromete mais com as avaliações que o conservadorismo institucional possa vir a fazer, reproduzindo a prisão seus padrões, formatos e estilos, do que com a invisibilidade que formas de fazer político não hegemônicas e discursos críticos às estruturas coloniais sofrem.

Ao prezar pela boa imagem institucional, o diretório joga uma crítica política contra a hierarquização, indolência e arrogância trazidas pela supremacia da racionalidade frente a outras linguagens4 no lixo. Ao prezar pela boa imagem, o Diretório Acadêmico de Ciências Sociais, age invisibilizando discursos antisistemicos emancipadores como, não por acaso, faz a própria Universidade, o Estado e o capitalismo.

A tentativa de impedimento da performance apenas por conter nudez, e img001por isso considerá-la imprópria para os calouros de ciências sociais, deixa o diretório alinhado com as correntes mais conservadoras do cristianismo que protege com o uso de prisões e subjugações, as crianças das famílias nucleares heterossexistas5 das expressões de carinho, amor e afetividade da população sexo dissidente.

O ativismo sexo-dissidente crê na arte performática como uma forma legítima de fazer política, estimulando a reflexão crítica sobre a metodologia convencional imposta pela racionalidade e destruindo a perspectiva que a coloca como forma mais adequada de construir e propagar conhecimento, além de proporcionar instantaneamente que as possibilidades sugeridas se materializem e atinjam as pessoas por vias sensoriais. Não nos interessa discursos cheios de referências bibliográficas que são mantidos pela herança do sistema escravocrata, como os serviços de empregadas domésticas. Tampouco concedemos credibilidade a intelectuais que caracterizam a classe média como fascista, mas continuam inebriadas pelos privilégios que o sistema capitalista as fornece. Nosso interesse é propagar uma prática dissidente possível e trazer visibilidade a fazeres que estão criando por fora das engrenagens heterocapitalistas6, assim acreditamos no poder da estética para construir subjetividades revolucionárias e interseccioná-las contra as mais diversas formas de dominações que enaltecem o patriarcado.

Aos que se chocam com as ações, gostaríamos de dizer que as grandes mudanças da sociedade se dão a partir de polos radicais de debate, expressões de afetividade entre homossexuais em público já foram chocantes, mulheres reivindicarem direitos, usarem calça e terem cabelo curto já foi chocante, a travestilidade ainda é chocante, portanto, estas pessoas que já chocaram a sociedade, garantiram a longo prazo patamares menos desiguais, que entre outras coisas, hoje, possibilita nossa existência.
__________________________

1 Em contraposição a militância LGBT, que pauta sua luta na conquista de direitos, a noção de dissidência sexual acredita que na heterossexualidade enquanto um regime político autoritário que violenta, persegue e extermina pessoas que estão em dissidência da normalidade heterossexista.

2 Para mais informações ver RICH, Adrienne. “Heterossexualidade compulsória e existência lésbica”

3 As chamadas da calourada das ‘Ciências Sensuais’ continha músicas sexistas do imaginário popular como na ‘boquinha da garrafa’ e diversas imagens sugerindo a objetificação da mulher.

4 Para mais informações ver SANTOS, Boaventura de Souza. “Um discurso sobre as ciências”

5 Heterossexismo é o termo utilizado para referenciar o sistema ideológico que nega, estigmatiza, discrimina, humilha e menospreza qualquer forma de comportamento, identidade, relacionamento ou comunidade não heterossexual. O heterossexismo supõe que todas as pessoas são originalmente heterossexuais e que a heterossexualidade é superior e mais desejável do que as demais possibilidades sexuais.

6 Heterocapitalismo é um conceito trazido por Leonor Silvestri, a partir das ideias sobre capitalismo cognitivo de Deleuze e Guatarri. De acordo com a filósofx o heterocapitalismo opera através da colonização das subjetividades produzindo desejos e modos de relações enaltecedores de uma lógica heterossexual, e controlando as maneiras de perceber o mundo de modo que garantam a supremacia e dominação masculina. Há também algumas produções textuais que consideram a heterossexualidade, definida a partir da ciência, como estratégia vital para a ascensão e consolidação do capitalismo.