Prestação de contas: MoNSTRuoSaS: Tesões Apocalípticos nas Ruínas do Heterocapitalismo

Como ação política autônoma articulada em rede e com chamada de contribuição solidária, a 2ª edição do festival Monstruosas tinha como objetivo realizar o evento independente do valor final de arrecadação. Contudo a organização foi surpreendida com, além do apoio financeiro, o de serviços, possibilitando entre outras coisas, fornecer ajuda de custo para as atrações da programação e para equipe de produção. As contribuições e apoio foram dados em perspectiva ocultista, sem pretensão de contrapartida por meio de promoção ou propaganda por parte da equipe organizadora.

Portanto, nossos agradecimentos vão além dos valores e serviços aqui recebidos, mas principalmente por poder vivenciar, no percalço do colapso da civilização, a construção de ações autônomas que estimulam a solidariedade em congruência com uma economia da dádiva, presente nas culturas incivilizadas vítimas da colonização. Desta forma, o festival propõe uma alternativa material e concreta contra a assimilação queer e o pink money preservado a autonomia e a dissidência sexual enquanto política anticapitalista.

ENTRADA SAÍDA DETALHES
R$ 100,00 R$ 139,00 Transporte (ARTISTAS)
R$ 100,00 R$ 130,00 Transporte (ARTISTAS)
R$ 300,00 R$ 250,00 Camisetas
R$ 5,00 R$ 40,00 Papeis (CAPA ZINES)
R$ 50,00 R$ 20,00 Tintas (SERIGRAGIA)
R$ 100,00 R$ 50,00 Transporta público
R$ 40,00 R$ 70,00 Adesivos
R$ 15,00 R$ 100,00 Ajuda de custo OFICINA
R$ 240,00 R$ 100,00 Ajuda de custo OFICINA
R$ 20,00 R$ 100,00 Transporte artista
R$ 45,00 R$ 100,00 Transporte artista
R$ 700,00 R$ 50,00 Comida EQUIPE
R$ 20,00 R$ 45,00 Ajustes técnicos (INFRAESTRUTURA)
R$ 300,00 R$ 400,00 Cachê (ARTISTAS)
R$ 400,00 Ajuda de custo (EQUIPE)
R$ 41,00 Caixa Distro Dysca
R$ 2.035,00 R$ 2.035,00
ENTRADA R$ 2.035,00
CUSTOS R$ 1.194,00
CACHÊ ARTISTAS R$ 400,00
EQUIPE R$ 400,00
SALDO FINAL R$ 41,00

O saldo final de R$ 41,00 entrou para o caixa da Distro Dysca, plataforma de agitação política que distribuí nossas publicações, bem como a renda obtida por meio de contribuição espontânea dos zines, camisetas e adesivos resultando num valor de R$ 186,00.

 

Homens cisheterossexuais armas de destruição em massa, excluídas da MoNSTRuoSaS

A Monstruosas é uma iniciativa de combatividade, resistência, criação e agitação política em perspectiva antiheterossexista, anticissexista, anticolonial e interseccional, voltada para o encontro e fortalecimento das sexualidades e gêneros dissidentes.

A construção das masculinidades tóxicas e hegemônicas, perpassa, para nós, a virilidade, a falocracia, a intransigência e a insensibilidade. Isto precisa, além de ser questionado, hostilizado e confrontado, porque são nestes aspectos que se baseiam a deslegitimação dos comportamentos desviantes, das subjetividades, além das violências sexuais e de gênero que bichas, homens trans e não homens sofrem cotidianamente. Sendo assim, este evento é voltado para todes aqueles que não se sentem confortáveis com a imposição da masculinidade cisgênera e heterossexual (corpos víris, agressivos e não violáveis; penetradores universais e castrados de próstata), já que esta ocupa um local de proteção e privilégio exclusivo e supremacista. Ser hostil a homens cisheterossexuais, não significa deslegitimar as masculinidades trans e gay, pelo contrário, é entendê-las como um ponto de criticidade no que diz respeito a ser homem e como ameaça a soberania viril, representando o fracasso do controle biopolítico dos corpos.

Caso Dandara: homens cisheterossexuais espacancaram a travesti até a morte no Ceará

Entendendo que toda experiência é única e que os grupos identitários não são homogêneos, sabemos que ao hostilizar a presença de homens cisheteros estamos tornado o espaço convidativo para certos grupos ao passo que excluímos outros. Porém, nos afastamos da concepção de luta individualista e liberal, comum na militância e/ou ativismo LGBT, pensando a questão de gênero e as sexualidades para além da perspectiva de afirmação das identidades. Desta forma, um evento anticissexista voltado para sexualidades e gêneros dissidentes não é capaz e nem tem interesse em contemplar todas as vivências a partir somente da congruência sob os locais de fala, já que muitas vezes eles são conflitivos entre si. Assim, não temos outra escolha se não priorizar algumas experiências em detrimento de outras a partir de uma ética política anti-hegemônica.

As pessoas que protagonizam e colaboram com o evento incluí mulheres trans e cis, sapatões, bixas, homens cis não heteros, homens trans, não bináries e outras performances de gênero monstruosas, que consideram que seus comportamentos expressos de maneira mais livre e a exposição de seus corpos, seja no audiovisual ou nas performances, possam ser objetificados, heterossexalizados e violados, caso o evento torne-se permissivo com a presença de homens cisheteros. Isto é, enfatizamos a não pertinência de homens cis héteros em nosso evento mesmo acreditando nas falhas de ajustamentos e nas contradições entre nós dissidentes, uma vez que estas devem ser repensadas de forma a não ofuscar, nem confortar as categorias políticas privilegiadas ou ainda trazer imunidade aos corpos historicamente constituídos a partir da intolerância, rigidez e abusos.

Espaços livres de identidades hegemônicas não implica necessariamente em um espaço seguro para as construções desviantes, pois nenhuma identidade está completamente imune para violar corpos produzidos como outros, uma vez que as opressões se entrecruzam e que os conflitos estão presentes em qualquer agrupamento animal.

Como ação política antihumanista, este evento repudia o heterossexismo e seu cistema antropocêntrico, enquanto regime político e visa a emergência e a propagação de manifestações corporais em desacordo com a normalidade. Por isso, entendemos que homens gays e trans, mulheres e lésbicas que se apropriam da virilidade, do falocentrismo e da performatividade cisheterossexual correm o risco de assimilar comportamentos opressores e extremamente violentos às dissidências, mesmo sendo violentadas em suas expressões de gênero e sua vivência sexual. Consideramos tóxicas essas atitudes opressivas, ainda que vinda de grupos dissidentes, esses comportamentos também não são bem-vindos.

Nesta direção convidamos todas as dissidentes para uma movimentação política que utiliza a arte como ferramenta de contestação às culturas normativas de sexualidade, gênero e resistência, em perspectiva anarquista, abordando vozes periféricas às indústrias da arte e do audiovisual e reunindo produções independentes do Brasil e América Latina.

09 e 10 de Junho Dois Irmãos explode Recife de tesões apocalípticos

Com uma programação intensa durante os dias 09 e 10 junho, a segunda edição do festival MoNSTRuoSaS trás para o bairro de Dois Irmãos, em Recife, atrações de cunho contestatório e combativo, organizado inteiramente de forma colaborativa e autônoma em perspectiva anticolonial e antiespecista, criando e experimentando no cotidiano a desobediência às ideias normatizadoras do Mercado, do Estado e do Cristianismo.

Como agitação política sexodissidente, o evento é uma propagação das abordagens críticas a cerca das questões sexuais e de gênero sob as noções de protagonismo político, autonomia e ressignificação de estigmas enquanto metodologia de rejeição às opiniões heterocapitalistas. Distantes das premissas do individualismo identitário, da representatividade moderna e da assimilação liberal, nossa monstruosidade nomeia a norma, deslegitimando-a partir de nossos conhecimentos-bombas construídos nos lixos, no pecado, na bizarrice, na anormalidade, na violência, nas matas, na loucura e no medo. O encontro com a vida das monstras põe em cheque as ficções da humanidade heterocivilizada, que se assustam ao ver que seus pudores, controladores de comportamentos e mentes, são prazeres e liberdade pra seres distintos, eis o perigo das nossas existências.

Na sexta, 9 às 13h, o evento ocorre todo na Dhuzati. A Oficina Montaria Themônia Anticivilizatória com Sarita de Gzuis, marca o início do festival.  Baseada num conceito antiespecista de montaria, com recicle do lixo urbano e matéria orgânica coletada, a oficina visa a metamorfose do corpo humano incorporando nele galhos, folhas, cipós, chips, cobre, sementes, ferro, plástico, entre outros, inspiradas por culturas ancestrais.

As 17hrs tem início o Lançamento do Livro A Porca Punk – Ensaios de um feminismo lésbico, gordo, anticapitalista e antiespecista, com Missogina, escrito a partir da gordura, para politizar a ferida, visibilizar a cicatriz e narrar a dor transformando-a em prazer. E os Lançamentos dos Zines Como chupar um homem trans, Ódio aos Héteros, Feminismo de tomar armas, Por uma vida sem HIV, Ai Ferri Corti, Transfeminismo Insurrecional, Sapatoons, Masturbação Mental e Seis teses sobre ansiedade no capitalismo, além do projeto de “outra pornografia possível” para as ruas: Agitporn.

As 19hrs inicia a sessão Mostréias Monohistéricas trazendo os vídeos inéditos da MoNSTRA – Mostra Nordestina de Sexualidades e Travestigeneridades em Resistência no Audiovisual Articulada com o Pornífero Festival, a FILMARALHO e o Coletivo Coiote, em perspectiva anarquista, a mostra utiliza a arte como ferramenta de contestação às culturas hegemônicas de sexualidade, gênero, abordando vozes periféricas às indústrias da arte e do audiovisual e reunindo produções independentes do Brasil e América Latina.

Referência da Oficina Montaria Themonia Anticivilizatoria, crianças Surma do sul da Etiópia, realizam incríveis pinturas em seus corpos com pigmentos naturais extraídos de minerais e vegetais.
Conjuro Sapatânico, estreia na sessão monstréias monohistéricas da MoNSTRA
Para Valeria Flores, ativista lésbica chilena, A Porca Punk é um brilho insubmisso que irradia a gordura de uma proletária da beleza e saúde para reinventar o pensamento normativo.

No sábado, 10 as atividades iniciam as 14h na Dhuzati, com o eXXXcitades, que trás a proposta de refletir as nossas práticas sexuais numa perspectiva dissidente e antiheterossexista, a abertura fica por conta de Amanda Palha e Leonardo Tenório compartilhando experiências de trabalho sexual na roda de diálogos Sexo, Prostituição e Exotização dos corpos trans,  logo após, apresentação de La Makina X Xperimentus Stérikus de Menstruosidads Transviadas de Wyrá Potyra, encerrando com a esperada Oficina de Shibari e Bondage facilitada por Missogina, compartilhando aspectos teóricos e práticos sobre as técnicas de amarração, imobilização e bondage. Durante todo o dia Aline Veloso estará aplicando piercings além de sessões de tatuagem com Porca Flor e Ziza Tatu.

Leonardo Tenório, Wyrá Potyra e Amanda Palha, no eXXXcitades
Shibari com Missogina

As 21:30h a pista de dança do Espaço OVNI vira barricada pornoterrorista contra o heterocapitalismo. A Danzando en Revolta, apresenta corpos como arma bélica e a música como ruído da queda da civilização, para que nossas existências possam dançar em revolta. Com apresentação pirata e clandestina de Anarkofunk e lineup de Hectamonstra (vinhetas anticivilizatórias), Paulet Lunatica Lindacelva (discohouse, afrohouse, nudisco), Sarita de Gzuis (tecnobrega, bregapop, cumbia e tupinikuirzices), Rastafraude (afrobeat, trap music e kuduro), além das video projeções dançantes e tecnorgásticas de Kimberly Lindacelva

Como grandes atrações desta catalisação de encontros, a noite ainda conta com a apresentação das performances A Punição dos Anjos de Edilson Militão, Pornobalismo de Juma Marruá e Modos de Fazer Sabão de Kalor Pacheco

Edilson Militão em Tanatopraxia
Kalor Pacheco em Tecnologia a serviço da orgia

Durante todo o evento bancas de comida, bebidas, cerveja sem milho transgênico e cachacinhas artesanais, além das bancas com material gráfico da Distro Dysca, kumbayá, brechó, cadernos artesanais e materiais das Bixas Arteiras. Tudo absolutamente vegano, sem cadáver e sem estupro.

Com foco nos tesões apocalípticos que gozam nas ruínas da heterossexualidade compulsória e da família nuclear androcentrada o festival Monstruosas é inteiramente voltado para o encontro e fortalecimento das sexualidades e gêneros dissidentes. Estamos em guerra. Evocar os santos, as armas, a mídia e as instituições do inimigo só irá criar novas margens e estimular a disputa entre nós mesmas por um reconhecimento heterocapitalista e civilizado. Nossa liberdade sexual e de gênero, pede criação de contra-prazeres e contra-sexualidades que fisurem micropoliticamente a ordem das identidades que a heterossexualidade enquanto regime criou biopoliticamente.

EVENTO NÃO ABERTO PARA HOMENS CIS HETEROSSEXUAIS: As pessoas que protagonizam e colaboram com o evento incluí mulheres trans e cis, sapatões, bixas, homens cis não heteros, homens trans, não bináries e outras performances de gênero monstruosas, que consideram que seus comportamentos expressos de maneira mais livre e a exposição de seus corpos, seja no audiovisual ou nas performances, possam ser objetificados e violados pelas maculinidades tóxicas

MoNSTRuoSaS
Tesões Apocalípticos nas Ruínas do Heterocapitalismo

09 e 10 de Junho
Dhuzati Coletiva Antiespecista Artesanal
Espaço Ovni
Dois Irmãos, Recife – PE

[CHAMADA DE COLABRAÇÃO SOLIDÁRIA] Vem aí, MONSTRUOSAS: Tesões apokalíptikos nas ruínas do heterocapitalismo

Em junho de 2017 a Distro Dysca, realiza a 2ª edição da Monstruosas, desta vez focando nos tesões apocalípticos que se fortalecem desprezando a falocracia da masculinidade tóxica e civilizada. Gozar em cima das ruínas da heterossexualidade e da família nuclear androcentrada é um ato que transforma os esforços para demolição do heterocapitalismo em um orgasmo lascivo, sendo as vivências e as práticas dissidentes um vírus que se propaga contaminando os corpos com a descolonização dos desejos e afetos. Nossos prazeres e a forma como se alcança-os também são políticos e fazem parte de uma subversão estrutural a cerca do controle biopolítico dos corpos.

O evento está sendo todo organizando sob protagonismo dissidente em perspectiva colaborativa, horizontal, autônoma e solidária. Serão dois dias de intensas atividades com oficinas, rodas de diálogos, sessões de tatoo e piercing, lançamento do livro A Porca Punk, lançamento de zines, mostra de vídeos e performances, além de uma festa de confraternização que catalisará as pulsões emergidas neste grande encontro. Com a participação de ativistas, artistas, performers e pornoterroristas, os trabalhos e debates selecionados para compor a programação, são realizados por companheires do Brasil, México, Argentina, Chile e Peru, retratando uma disparidade estética e propositiva que tem na visibilidade das sexualidades e gêneros dissidentes uma arma humanicída que infecta os corpos heteronormativos autocompreendidos como poderosos, verdadeiros, definitivos e hegemônicos.

Nossos custos de produção envolvem:

  • O transporte das facilitadoras e performers que se encontram em regiões diferentes do Brasil, bem como transporte urbano para circulação e compra de materiais para as oficinas.
  • A tradução de textos, diagramação e tiragem dos zines que serão lançados pelas monstruosas como Agitporn, Localização Política da AIDS, Contra o Quebranto Sobre o Corpo Monstruoso, Gordas e Anti Especismo e Mastrubação Mental;
  • O aluguel de material para exibição de vídeo como projetor e telão
  • Impressão de folders e cartazes de divulgação que serão espalhados em regiões periféricas da cidade.
  • Ajuda de custo para alimentação e hospedagem das companheires de forma que não sobrecarregue o orçamento e a organização cotidiana das amigas que forneceram suas casas, na periferia de Recife, para hospedagem e troca de vivências.

A 1ª Monstruosas, contou com doações colaborativas e um almoço solidário realizado pela Dhuzati Coletiva Antiespecista Artesanal. Devido à experiência exitosa estamos convidamos amigues e demais apoiadorxs da rede sexodissidente e anticapitalista para contribuir financeiramente com este projeto, objetivando o acesso gratuito à todas nossas atividades.

O festival será condensado na seguinte programação: MoNSTRaMostra Nordestina de Sexualidades e Travestigeneridades em Resistência no Audiovisual; Danzando en Revolta; eXXXcitadesoficinas de shibari, debates transsexuais, tatoos e piercing; Montaria TheMônia Anticivilizatória e Lançamento do livro A Porca Punk + lançamento de zines. As doações podem ser feitas através de depósito no Banco do Brasil na seguinte conta:

A. Buarque de Souza
CPF: 048.656.864-44
AG. 1245-9
CC 45990-9

Por ser um projeto autônomo, nossa contrapartida para esta chamada se dá pela própria realização do evento que ocorrerá na periferia de uma grande cidade do nordeste brasileiro, como estratégia de sair de um centro tomado pela gentrificação, priorizando o recorte de classe nas perspectivas críticas a cerca dos comportamentos sexuais e de gênero. Nosso foco é o fortalecimento dos corpos monstruosos e racializados que se encontram fora das grandes instituições de produção instrumental de conhecimento, reconhecendo as inspiradoras experiências de resistência, criação e pirataria construídas desde as situações de exclusão familiar, trajetórias na prostituição, até o enfrentamento contra às violências resultantes da expansão cristã neopentecostal nas periferias e da supremacia machulenta.

SELEÇÃO DE FILMES: MoNSTRA Intinerante POA

A MONSTRAMostra Nordestina de Sexualidades, Travestilidades e Resistência no Audiovisual – chega em Porto Alegre trazendo um pouco de cultura de resistência sexo dissidente para propor além de outro mundo, outros desejos possíveis.

A Uma movimentação política que utiliza a arte como ferramenta de contestação às culturas hegemônicas de sexualidade, gênero e resistência. Em perspectiva anarquista, aborda vozes periféricas às indústrias da arte e do audiovisual, reunindo produções independentes do Brasil e América Latina.

Articuladas com o Pornífero Festival que acontece desde 2014 na cidade de Lima, no Peru; com a FILMARALHO produtora audiovisual independente radicada na Cidade do México; com o Coletivo Coiote de ação-direta pornoterrorista anti-arte; e com a Distro Dysca produtora independente de movimentações político-culturais combativas, buscamos reunir materiais artísticos que questionem a binarismo de gênero e seus esteriótipos, a heterossexualidade compulsória enquanto regime político, além do machismo e o sexismo enquanto culturas opressoras intrínsecas em nossos corpos. Tais materiais trazem questionamentos, propostas e possibilidades de descolonização e emancipação através de experimentações registradas e ações que combatem essas opressões.

Curtas, médias e longas-metragens, videoperformances, video-arte, registros e demais manifestações audiovisuais além de performances e debates constroem uma programação que põe o corpo no centro da mandala dos desejos.

SELEÇÃO DISTRO DYSCA:
Seleção de filmes enviados à convocatória da Distro Dysca, plataforma de agitação cultural crítica em perspectiva anticolonial, anticapitalista e antisexista

SELEÇÃO FILMARALHO
Produtora audiovisual independente radicada na Cidade do México, que visa a fomentação, circulação e discussão de filmes cuja temática tangencia a problematização de diferentes questões estéticas, sexuais e políticas.

SELEÇÃO PORNÍFERO:
O Pornífero Festival acontece desde 2014 na cidade de Lima no Peru com objetivo de apresentar liberdades visuais derivadas de práticas radicais em um contexto ibero-americano, que tem mudado através de uma lógica histórica repleta de regimes políticos assassinos e ditatoriais, instalado comodamente em um sistema pro capitalista neocolonial cuja característica principal é a tecnologia.

SELEÇÃO COIOTE:
As performances do Coletivo Coiote abrangem temas como violência de gênero e colonização do corpo expressos de forma a acionar sensações bastante fortes quando levadas às manifestações.

SERVIÇO:
MoNSTRA – Mostra Nordestina de Sexualidades e Travestilidades em Resistência no Audiovisual | Itinerância em POA
1º de Abril às 18h
Casa Frasca – Av. Independência, 406, Porto Alegre, RS

Feminismo liberal e Esquerda Assimilada descredibilizam denúncia e protege agressores de pessoas trans

Com maestria foi anunciado o som da Orquestra Popular Burguesa pelo Direito de todxs à Cidade Classe Média. Primeiramente a Moderação do Grupo Direitos Urbanos, remove postagem de denúncia de agressão cometida por Ítalo Bazon e apoiada por Roger de Renor. Depois posts de Carlota Pereira e Liana Cirne concluem a apresentação dando o toque clichê de naturalização da violência sexista. Tudo ao vivo direto do Teatro Santo Mark Zuckerberg.

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“Minha frustração, chateação ou inquietude, como queira chamar, surge quando me deparo com várias situações ao meu redor em que se supõe que, segundo o discurso, deveríamos já ter superado ou no mínimo trabalhado sobre elas e que, muitas vezes, reproduzimos os comportamentos mais ordinários do oportunismo clássico.

Vejo que colegas (gurias) são agredidas por seus companheiros, física e psicologicamente, vejo que colegas (principalmente caras) escondem sua homossexualidade, vejo que quando acontece algum debate sobre sexismo ou patriarcado é sempre uma iniciativa das gurias e as posturas dos caras são bastante patéticas, vejo milhares de dinâmicas que reproduzem as desigualdades entre caras e gurias, homos e héteros (cantadas, papeis em reuniões,restrição à escrita…), vejo hierarquias informais que fazem com que tenhamos uma dupla moral frente a diversas situações (credibilidade de acordo com a pessoa, cantadas, abuso, agressões…), vejo que não temos mecanismos para afrontar tudo isso, e que nem sequer temos um espaço, ou interesse para criá-lo, onde possamos falar sobre e procurar saídas…”

“Sobre gênero e caras “do rolê” (ou de como estamos com a merda até o pescoço).” Texto difundido em 2004 no Indymedia e no fanzine espanhol “Bailamos?”. Versão em português publicada no livro Tesoura Para Todas: Violência Machista nos Movimentos Sociais, 2013. Ed. Deriva

A denúncia de agressão e cumplicidade machista compartilhada na ARCA ocorrida na última edição do Som na Rural, revela com detalhes, o nível em que a discussão sobre violência sexista encontra-se no cenário político de Recife. Usos de fala e compartilhamentos oportunistas, além de comentários que classificam a denúncia como farsa, embasados nas relações pessoais com celebridades e outros tantos clichês machistas, evidenciados por apenas um motivo: a denúncia compromete diretamente o fazer político de quem faz arte urbana e se apropria dos discursos de direito à cidade. Apesar da agressão não ser formalmente negada pelos denunciados, muita gente concluiu que a publicação não contém provas e que as informações eram imprecisas e truncadas.

Acreditamos que o texto localiza muitíssimo bem a violência ocorrida e a cumplicidade do produtor cultural com o agressor, além das informações descritas contarem com uma quantidade significativa de testemunhas, entre elas a ex-cunhada do agressor que também profere uma nota publicada no blog da ARCA. O texto também denuncia a cumplicidade do Som na Rural com incitadores de estupro e também relata a contínua perseguição de Ítalo às pessoas trans, expulsando-as do local. Mas ainda assim a muita gente ainda crê que estas informações são insignificantes para a denuncia publicada.

450xNTais justificativas apenas atestam que o combate ao machismo visto nas pessoas que compõe o nicho mercadológico da esquerda assimilada e colaboracionista é seletivo e midiático, não admitindo questionamentos incisivos com as pessoas na qual há interesse de articulação ou de visibilidade. A moderação do Grupo Direitos Urbanos, Liana Cirne, Carlota Pereira, Edilson Silva e várias outras pessoas ligadas ao PSOL agem descredibilizando a denúncia e colocando os apontados em locais de conforto, como faz toda a estrutura da supremacia machista tão enraizada no Estado Democrático de Direito, estrutura que todas as citadas parecem reivindicar não reconhecendo que a lógica de Estado e Elite Soberana é uma das mais sofisticadas e perigosas tecnologias de dominação patriarcal.

Tal posição atesta o completo desconhecimento a cerca de toda uma epistemologia, cuidado e prática feminista, transfeminista e sexodissidente sobre situações de agressão, assédios e abusos por parte de pessoas com amplo status social. Assim, empenham-se em reproduzir a norma opressora clichê de desacreditar nas vítimas e ao mesmo tempo não leva como prioridade que os denunciados não sejam acobertados ou confortavelmente inocentados, pelo contrário, expõe a falta de interesse e a incapacidade de questionar criticamente as pessoas que circulam em volta da sua redoma e fornecem vantagens para um fazer político realizado nos moldes de espetáculo. É sabido que esta postura pouco tem a ver sobre provas e informações precisas, tem a ver com o peso político que a nota implica e traz no apontamento de suas localizações. A maneira como foi lidado este caso escancara a pífia inserção nos debates sobre opressões sexuais e de gênero em perspectiva emancipatória e não assimilacionista de grupes e individues esquerdistas em Recife.

A invisibilidade, descredibilidade e rechaço de pessoas trans; proteção, camaradagem e solidariedade aos agressores, bem como a apatia, inércia e desprezo sobre uma grave situação de agressão contra pessoas trans por pessoas que estudam violência doméstica, por um feminismo elitizado e por esquerda demagógica e hipócrita também implica em racismo quando as que desvalorizam, negam e desmerecem a denúncia ocupam profissões de prestígio e privilegiadas na estrutura capitalista, são, não por acaso, pessoas brancas e/ou colaboradoras de valores brancos. Infelizmente o discurso de trabalhadoras ambulantes transgêneras e negras, sem prestígio social e sem colaborações sistemáticas com os privilégios hegemônicos, por mais rebuscado que se apresente, nunca foi colocado como algo credível e possível de verdade. No Estado Democrático de Direito é o discurso do colonizador vestido pela etiqueta civilizada que é aceito e na sua maioria das vezes incontestável e é esta perversa estrutura e lógica de relação de poder que se reproduz nas mais diversas e pequenas situações submetidas por esta macropolítica.

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O que vem acontecendo é exatamente o que o sistema machista faz com as mulheres todos os dias, só que com o agravante de partir de pessoas que tem uma militância expressiva na cidade, poder de convencimento e alto alcance de suas ideias. O poder político destas pessoas se dá apenas por serem sujeites que possuem poder e privilégios na atual estrutura de dominação e claro, colaboram com a exploração capitalista. O uso covarde do estereótipo de loucas, mentirosas, violentas, agressivas, barraqueiras estimulando a descredibilidade e estigmatização das vítimas, também implica em misoginia por se valer de estereótipos criados pela lógica machista para deslegitimar, tão comumente, pessoas ligadas a ideia de feminino. Ainda foi relatado falaciosamente, na tentativa de deslegitimar as denunciantes, que algumas companheiras estão se afastando do feminismo e que muitas entraram em depressão, por conta das denunciantes. As mesmas esclarecem que não compartilham, nem ao menos compõe espaços feministas institucionais, estudantis ou mesmo tradicionais na cidade, sendo a denúncia da advogada uma calúnia abominável usada apenas para estigmatizar pessoas trans, o que acarreta transfobia explicita, covarde e maquiavélica. Os espaços de luta antisexista que as denunciantes tentam se aproximar são aqueles com explicitas intenções e posicionamentos anticapitalistas, que certamente não são os mesmos que circulam a difamadora.

Consideramos que os desdobramentos da denúncia, a exclusão da nota da página do DU, os posts de Liana Cirne, a nota de Carlota e mais uma centena de compartilhamentos e comentários que deslegitimaram, escracharam e silenciaram as denúncias, estão completamente em desacordo com uma lógica e prática feminista para lidar com denúncia de agressões e casos que envolvem violência com pessoas de status. Como é que duas denúncias são feitas e as pessoas simplesmente não as problematizaram e focaram, estritamente, em uma defesa visceral de Roger e do Som da Rural? O que importa é a imagem da rural não ser transfóbica em detrimento da segurança e bem estar de todas as denunciantes?

Casos como este faz nos lembrar-nos de Idelber Avelar e Carlos Latuff e sobre como ter poder político pode inocentar ou relevar qualquer atitude politicamente controversa, também nós é salutar a lição e uma leitura crua sobre o ativismo em Recife: Empoderamento como status individualista, solidariedade branca e sustentada por profissões de prestígio, enquanto pessoas trans negras são agredidas a custas da invisibilidade, apatia e desprezo das que agregam valor político apropriando-se de discursos emancipadores com objetivo de acumular status.

Segue abaixo a mensagem da moderação do grupo Direitos Urbanos, justificando a exclusão do post:

“A moderação se reuniu para decidir sobre este post e chegamos à conclusão que ele parte de uma denúncia sem fundamento de provas. Mais: acusa Roger de violência quando não parece haver nenhum prova clara que isso aconteceu. Acredito que a própria semântica da denúncia carece também de clareza e discernimento, aumentando o clima de de incerteza quanto aos fatos. Desta forma, a moderação vai retirar o post e espera que a autora reformule de forma precisa e com provas substanciais a acusação. Caso contrário, seremos obrigados a retirar o post novamente. No mais, o a moderação do DU esclarece que este não é o primeiro e provavelmente não será o último post a ser retirado quando se trata de denúncia pouco esclarecedora. É preciso haver responsabilidade e provas para fazer este tipo de denúncia e o texto postado não parece ter seguido esta linha”.

Comentários em apoio as vítimas:

transito“Eu até entendia mais quando vocês não queriam romper com a brodagem, mas agora que muitos já romperam me pergunto por que fizeram isso seletivamente. (…) Eu preciso dizer que isso é transfobia. Vocês já se posicionaram contra o machismo e a favor da representatividade a partir de diversos episódios este ano e, em outra proporção, em anos anteriores, e aqui incluo o caso onde um grande amigo de Roger, Ortinho, fez apologia ao estupro. Por que o silêncio aparece sempre localizado quando as vítimas não são cis? Enfim, o silêncio nunca protegeu ninguém. Apelo para que leiam, compartilhem e falem sobre esse caso.”

“Os mesmos elogios que vc faz a roger eu faço às 2 amigas agredidas, numa militância que tem mt mais minha admiração e que, por nunca ter acontecido de forma exibicionista, fica num lugar desprotegido em relação a Roger, como se vê no post do DU. penso, ainda, que se começamos a desconfiar das vozes das vítimas, estamos concordando com os discursos que colocam estas pessoas – frequentemente mulheres – como histéricas. falar das relações que Roger   tem com pessoas não dissidentes é tokenizar a situação. é dizer que ele não reproduz sistemas de opressão pq até tem amiges oprimides. pois, a título de exemplo, digo que chamar Ortinho para cantar no Estelita depois dele fazer apologia ao estupro é ser conivente com as palavras de Ortinho. pra citar apenas uma situação. sinto que as discussões sobre machismo no recife estão ganhando um ar de “estão indo longe demais, problematizando demais, expondo demais” porque mais uma vez continuam individualizando essas manifestações opressoras, que nem sempre são tão escancaradas, mas são sempre sistemáticas.”

“Se tem uma coisa que marcou o afastamento entre o Movimento Ocupe Estelita e o grupo Direitos Urbanos, ao meu ver, foi a prática centralizadora e a pouca preocupação no empoderamento coletivo de muitos dos membros do DU para com as pessoas interessadas em compartilhar esse debate. não é a toa que uma série de vezes, em tópicos do grupo, as conversas continuem centradas nos poucos membros da moderação ou que se estabeleça frequentemente uma postura hierárquica de espaço de consulta.
Hoje as mesmas pessoas, no curso de comentários sobre a nota que acusa o Som na Rural de conivência com transfobia, impediram o texto pelo uso de uma série de termos essenciais para se analisar o que ocorreu e impedir a prática de gaslighting com as vítimas. me surpreende que, quando elas estão construindo algo coletivamente não se interessem em empoderar todos dos conceitos que usam frequentemente, e quando se trata de um movimento que pode deixar seus privilégios desmantelados como o transfeminista frente ao cisativismo, não só houve falta de esforço em compreender o que foi dito – o que se caracteriza como falta de empatia – mas se usou também de um discurso que está sempre nas bocas de quem reproduz a opressão machista: histérica, confusa, mentirosa.”

Links úteis:

10 reflexões para denunciados de abusos e agressão machista
Tesoura para todas: Textos sobre violência machista nos movimentos sociais
Cenas ativistas não são espaços seguros para mulheres
Transfobia é a epidemia que os movimentos sociais devem combater
Mulher, a esquerda não liga para você!

Kurso Kuir com Jota Mombaça em Recife gratuito e não recomendado para homens cis heterossexuais

kuir

KURSO KUIR – PERSPECTIVAS MESTIÇAS

A ideia é deslocar o sentido da apropriação “queer” no contexto latino a partir do contágio com as produções de uma rede de artistas-ativistas-articuladorxs que, desde as posições críticas de sujeitxs transbordermestizxs, pirateiam esse referencial, pervertendo seu sentido político associado à colonialidade. Kuir é uma inflexão fonética desse termo que nos foi informado pela produção euroestadunidense; e implica considerar, além das questões ligadas à dissidência sexual e de gênero, o problema da colonialidade em suas intersecções geopolíticas e de raça, classe, espécie. Textos-bomba, videos pornodissidentes, performances e outras produções estéticas monstruosas a partir de nossas próprias experiências periféricas, mestiças, generodesobedientes, anticoloniais e sexualmente transmissíveis.

Quanto a inscrição: não vai precisar enviar e-mail, basta chegar no dia com um pouquinho de antecedência e, enquanto houver espaço, todes serão acolhides. Quer dizer, todes exceto homens cisgêneros heterossexuais, os quais não encorajamos a participar (simplesmente porque esta atividade não é sobre vocês). As demais pessoas (que não se encaixem nessa categoria), sim, serão bem vindas.

Atitudes de cunho heterossexista, misógino, transfóbico, racista, lesbofóbico, gordofóbico, capacitista, homofóbico, patriarcal, xenofóbico e classista serão resistidas e rechaçadas, independente de quem as acione. A ideia é criarmos um espaço interseccional bacana onde todes possamos nos expressar a respeito de nossas questões sem que, para isso, violentemos outras corpas minoritárias.

Jota Mombaça pode ser chamadx Monstrx, K-trina e Erratik. É umx one hit artist pop guerrilheirx, bruxx políticx, performer e pesquisadorx del kuir em contextos sudakas, terceiro-mundistas, transfronteiriços e de mestiçagem estética, ética, visual, linguística, política, étnica, sexual e epistêmica.

Adiada Convocatória de Trabalhos para a MONSTRUOSAS

GALERA, ESTENDEMOS A DATA DESTA CONVOCATÓRIA.

Devido a problemas técnicos (o blog e o e-mail, hospedados em servidores autônomos, passaram por manutenções recentes nestes últimos dias) estaremos recebendo propostas até dia 15 de Agosto.

VEM COM A GENTE!!

ADIAMENTO

Está aberta a convocatória de trabalhos para exposição no “MONSTRUOSAS – SUBPOLÍTICAS E DESCOLONIALIDADES” em Recife

A proposta é fazermos um festival sobre dissidência sexual falando desde nosso contexto sudaka, numa das partes mais marginalizadas do território, o nordeste do Brasil. O evento será gratuito e autogerido, com objetivo de agregar e somar a maior quantidade de personas non gratas ao cistema heterocapitalista.

Convidamos pessoas, individualidades, agrupamentas e coletivos que tenham PROJETOS SUBVERSIVOS DE PERFORMANCE, INSTALAÇÃO, DANÇA, TEATRO, VISUAIS (FOTOGRAFIA, ILUSTRAÇÃO, PINTURA, ESCULTURA) OU QUALQUER OUTRA MANIFESTAÇÃO ARTÍSTICA/POLÍTICA QUE TEMA COMO TEMA “DISSIDÊNCIA SEXUAL, E DESCOLONIZAÇÃO”. Temos em vista a necessidade urgente de visibilizar práticas e produções ligadas a FEMINISMOS, TRANSFEMINISMOS, INTERSECCIONALIDADES, GUERRILHAS KUIR E PÓS IDENTITÁRIAS que desestruturem a moral e desprogramem nossos corpos. Anti-arte e artistas que de alguma forma se sentem oprimidxs pelo sistema branco, higienizador e colonizador serão muito bem vindes. As performances acontecerão em paralelo a Itinerância do Pornífero Festival e cada apresentação NÃO PODERÁ EXCEDER O TEMPO DE 20 MINUTOS. Nos casos dos trabalhos que tenham mais que esta duração, podemos tentar adaptar e pensar em soluções em conjunto, contudo, a seleção atenderá os critérios acima citados. CADA ARTISTA DEVE SE RESPONSABILIZAR PELA MONTAGEM E CONCEPÇÃO DOS TRABALHOS, o encontro será totalmente autogestionado pelas organizadoras e o cuidado, execução e montagem das obras, será de completa autonomia dxs proponentes. O PROJETO DEVE SER ENVIADO ATÉ 10 DE AGOSTO PARA DISTRODYSCA@BASTARDI.NET, CONTENDO:

RESUMO: uma síntese do que se trata o trabalho, em 5 linhas
JUSTIFICATIVA: um pequeno texto com argumentos sobre a pertinência do seu trabalho no evento, no máximo de 10 linhas
REFERÊNCIAS: trabalhos artísticos, literários ou textuais que inspiram ou a que remete ao seu trabalho.

Haverá um comunicado prévio com xs artistas no dia 15/08/2015 para nos conhecermos e conversamos sobre questões práticas das execuções.

Página do evento no facebook: https://www.facebook.com/events/902221733183824/

Vem aí: Monstruosas: Subpolíticas e Descolonialidades | 21 e 22 de Agosto em Recife

11791810_1619442058338708_82785805_nEncontro de catalisação de potências antissistêmicas através do corpo, e seus deslocamentos como possibilidade de vivências políticas de resistência. Articulado em perspectiva anticivilizatória.

Conectando geografias afetivas e espaciais, o encontro trará diálogos e tensionamentos diagramados no corpo enquanto ferramenta principal do existir político, pelo viés de sua atuação afetiva-sexual e performativa. Esses diálogos serão facilitados por personagens que pensam suas ações políticas desde o ponto local até sua expansão em território estendido, somando questionamentosoprimidos pelo cistema heterocapitalista.

Lutando por uma sexualidade livre, iniciada não pelo discurso da liberdade da ação sexual em si, nem pela classificação das diversidade sexuais já lidas, mas da liberdade de exercício do corpo e de seus devires, sendo sempre relido conforme seus novos dispositivos de desejo político. Buscamos um debate horizontal que tem como princípio desprogramador questionamentos provenientes de marginalidades e seus atravessamentos. Diagramando assim um corpo político na utopia do agora, uma existência trans-feminista-negra, de classe y gorda. Sem fronteiras.

Nessa diagramação estamos prezando pela autonomia dos corpos e suas resistências, articulando e experimentando cotidianos de emancipação pensando um corpo que é próprio e também é outro. Assim levantaremos práticas de autogestão anti-especistas, contraletradas e nômadas como horizontes de potência revolucionária.

>>>>>>>>> PROGRAMAÇÃO <<<<<<<<<

Sex – 21.08, 18hrs    
Pornífero Festival de Arte Pós-Pornô – Itinerância do Festival de Lima (PERU)

Apresenta e representa liberdades visuais derivadas de práticas radicais em um contexto ibero-americano, modificadas através de uma lógica histórica cheia de regimes políticos assassinos e ditatoriais, e instalando-se tensamente em um sistema pró capitalista pós colonial cuja brecha principal é a tecnologia. O material coletado para a programação, retrata uma disparidade estética e propositiva. O uso de sexualidades dissidentes como arma homicida, infectando um corpo heteronormativo que se via enquanto poderoso e definitivo. Material em video arte de países como México, Colombia, Chile e Peru, formam parte dessa seleção que trata de pôr ênfase na prática pós-pornô em países tão complexos como os da Latinamérica.

Sáb – 22.08, 15hrs
Kurso Kuir – Persepctivas Mestiças

Facilitado por Jota Mombaça que tem como ideia deslocar o sentido da apropriação “queer” no contexto “latinoamericano” a partir do contágio com as produções de uma rede de artistas-ativistas-articuladorxs que, desde as posições críticas de sujeitxs transbordermestizxs, pirateiam esse referencial, pervertendo seu sentido político associado à colonialidade.

Sáb – 22.08, 22hrs
Danzando en em Revolta

A pista de dança como campo de guerra, o corpo como arma bélica e a dança como movimento emancipatório. Para que nossas existências possam DANÇAR em REVOLTA a música do ruído da queda da civilização.

Com Solânge,tô aberta!: STA! é o fracasso da hetero/homonormatividade: festejar as margens e comemorar a precariedade. STA! é a música pirata, é o fracasso da arte!!! STA! é um buraco que todo mundo tem!!!

K-trina Errátik: Compõe pop-guerrilhas como declaração de guerra das bichas do terceiro mundo.

Eu o Declaro Meu Inimigo: “Aquele que puser as mãos sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo!”, declaram também que a música pode ser perigosa.

Coletivo Coiote: A atualização estética da violência traz na noção de dispêndio uma nova gestão do corpo, aquele que enfrenta a violência enquanto agente e não mais como vítima. Só podemos destruir aquilo que é nosso, destruir é uma forma de consumo, o autoflagelo é a expressão não falada de “Este corpo é meu”. O empoderamento se dá em uma relação agonística de destruição e auto-descolonização, enfatizando a caracterização estética da esquizofrenia, da sujeira, da sexualidade dissidente como existência potencial, afirmadora de sentido e que denuncia a passividade enquanto cúmplice da violência higienista.

Mais informações:
Página do evento no facebook: Monstruosas: Subpolíticas e Descolonialidades
Contato Distro Dysca: distrodysca@bastardi.net